terça-feira, 31 de maio de 2011
Míriam Leitão, Christine Lagarde e o FMI
Austríaco Banido do Tênis por Racismo
quinta-feira, 26 de maio de 2011
Direitos Humanos
AMAZÔNIA SACRIFICA MAIS UM MÁRTIR
Pimenta Neves Prova que para os Ricos o Crime Compensa
Pimenta Neves tem 74 anos e os advogados de defesa afirmam que ele está doente, com diabetes e hipertensão. Com isso, abre-se a possibilidade de que a defesa entre na Justiça com pedido de prisão domiciliar.
quarta-feira, 25 de maio de 2011
FORÇAS ESPECIAIS DOS EUA MATAM BIN LADEN
terça-feira, 24 de maio de 2011
Miríam Leitão Homenageia Abdias Nascimento
Morre Abdias Nascimento
segunda-feira, 23 de maio de 2011
Sandra Werneck - Cinema nas Entranhas
Arnaldo Jabor: Como Viver Sozinhos na Multidão
O que temos visto por ai ???
Baladas recheadas de garotas lindas, com roupas cada vez mais micros e transparentes. Com suas danças e poses em closes ginecológicos, cada vez mais siliconadas, corpos esculpidos por cirurgias plasticas, como se fossem ao supermercado e pedissem o corte como se quer... mas???
Chegam sozinhas e saem sozinhas...
Empresários, advogados, engenheiros, analistas, e outros mais que estudaram, estudaram, trabalharam, alcançaram sucesso profissional e, sozinhos...
Tem mulher contratando homem para dançar com elas em bailes, os novíssimos "personal dancer", incrível. E não é só sexo não! Se fosse, era resolvido fácil, alguém dúvida? Sexo se encontra nos classificados, nas esquinas, em qualquer lugar, mas apenas sexo! Estamos é com carência de passear de mãos dadas, dar e receber carinho, sem necessariamente, ter que depois mostrar performances dignas de um atleta olímpico na cama .... sexo de academia .. . .
Fazer um jantar pra quem você gosta e depois saber que vão "apenas" dormir abraçadinhos, sem se preocuparem com as posições cabalisticas...Sabe essas coisas simples, que perdemos nessa marcha de uma evolução cega. Pode fazer tudo, desde que não interrompa a carreira, a produção... Tornamo-nos máquinas, e agora estamos desesperados por não saber como voltar a "sentir", só isso, algo tão simples que a cada dia fica tão distante de nós...
Quem duvida do que estou dizendo, dá uma olhada nos sites de relacionamentos "ORKUT", "PAR-PERFEITO" e tantos outros, veja o número de comunidades como: "Quero um amor pra vida toda!", "Eu sou pra casar!" até a desesperançada "Nasci pra viver sozinho!"
Unindo milhares, ou melhor, milhões de solitários, em meio a uma multidão de rostos cada vez mais estranhos, plásticos, quase etéreos e inacessíveis, se olharmos as fotos de antigamente, pode ter certeza de que não são as mesmas pessoas, mulheres lindas se plastificando, se mutilando em nome da tal "beleza"...
Vivemos cada vez mais tempo, retardamos o envelhecimento, e percebemos a cada dia mulheres e homens com cara de bonecas, sem rugas, sorriso preso e cada vez mais sozinhos...
Sei que estou parecendo o solteirão infeliz, mas pelo contrário...
Pra chegar a escrever essas bobagens?? (mais que verdadeiras) é preciso ter a coragem de encarar os fantasmas de frente e aceitar essa verdade de cara limpa...
Todo mundo quer ter alguém ao seu lado, mas hoje em dia isso é julgado como feio, démodê, brega, familias preconceituosas...
Alô gente!!! Felicidade, amor, todas essas emoções fazem-nos parecer ridículos, abobalhados...
Mas e daí? Seja ridículo, mas seja feliz e não seja frustrado...
"Pague mico", saia gritando e falando o que sente, demonstre amor...
Você vai descobrir mais cedo ou mais tarde que o tempo pra ser feliz é curto, e cada instante que vai embora não volta mais...Perceba aquela pessoa que passou hoje por você na rua, talvez nunca mais volte a vê-la, ou talvez a pessoa que nada tem haver com o que imaginou mas que pode ser a mulher da sua vida...
E, quem sabe ali estivesse a oportunidade de um sorriso a dois...Quem disse que ser adulto é ser ranzinza ?
Um ditado tibetano diz: "Se um problema é grande demais, não pense nele... E, se ele é pequeno demais, pra quê pensar nele?"
Dá pra ser um homem de negócios e tomar iogurte com o dedo, assistir desenho animado, rir de bobagens e ou ser um profissional de sucesso, que adora rir de si mesmo por ser estabanado...
O que realmente, não dá é para continuarmos achando que viver é out... ou in...
Que o vento não pode desmanchar o nosso cabelo, que temos que querer a nossa mulher 24 horas, maquiada, e que ela tenha que ter o corpo das frutas tão em moda, na TV, e também na playboy e nos banheiros, eu duvido que nós homens queiramos uma mulher assim para viver ao nosso lado, para ser a mãe dos nossos filhos, gostamos sim de olhar, e imaginar a gostosa, mas é só isso, as mulheres inteligentes entendem e compreendem isso. Queira do seu lado a mulher inteligente: "Vamos ter bons e maus momentos e uma hora ou outra, um dos dois, ou quem sabe os dois, vão querer pular fora, mas se eu não pedir que fique comigo, tenho certeza de que vou me arrepender pelo resto da vida"...
Porque ter medo de dizer isso, porque ter medo de dizer: "amo você", "fica comigo", então não se importe com a opinião dos outros, seja feliz!
Antes ser idiota para as pessoas que infeliz para si mesmo! Para ler, divulgar e . . . praticar !
sexta-feira, 20 de maio de 2011
O Rei e a Camareira

Rosa Parks (foto acima com Martin Luther King), símbolo pela luta dos direitos civis nos EUA que teve início em 1955, de seu túmulo certamente influenciou a decisão da camareira africana em ter denunciado o todo poderoso presidente do FMI, Domenique Gaston Andre Staruss-Kahn à polícia Novaioquina. DSK como é chamado, foi indiciado criminalmente pela justiça dos EUA e pode ter que cumprir uma pena de 20 anos de reclusão. Para responder pelo crime em liberdade, na cidade de Nova York, pagou fiança de ummilhão de dólares e mais cinco milhoes de dólares como caução preventiva contra uma possível fuga. Dominique Gaston André Strauss-Kahn é Advogado, Cientista Político, Administrador de Empresas, Economista e ex-presidente do Fundo Monetário Internacional - FMI (renunciou após ser preso), além de proeminente membro do Partido Socialista Francês. DSK, como é chamado, liderava com folga a corrida para a presidência da França, ameaçando a reeleição de Nicolas Sarkozy. Strauss-Kahn viu seu mundo ruir ao ser preso por abuso sexual contra uma camareira no Hotel Sofitel de Nova York no dia 14 de maio. DSK Foi retirado pela polícia da primeira clase de um avião que estava partindo para Paris e levado para a prisão de Rikers Island, onde cumprem pena 14.000 presidiários, uma das mais perigosas dos EUA. Strauss-Kahn será defendido pelo mesmoadvogado que defendeu Michael Jackson dos mesmos crimes, só que com crianças. Para sair do presídio e permanecer em prisão domiciliar em Nova York, monitorado por uma tornozeleira eletrônica, o francês desembolsou cinco milhões de dólares - um como fiança e cinco como caução preventiva de fuga. Além de ter entregue seu passaporte francês e o das Nações Unidas ao qual tem direito. Sua vítima, uma imigrante africana da República da Guiné, tem 32 anos e uma filha de 15. Segundo a direção do hotel, a camareira não sabia quem era Staruss-Kahn, nem a isstituição que ele presidia, o FMI. Ele é um europeu branco, bem nascido, formado pela Sorbonne e frequenta os melhores salões e palácios do mundo. Seu salário era de meio milhão de dólares por ano. Ela, imigrante fugida da fome. Com o parco rendimento que recebe mal consegue manter a si e à filha de 15 anos. Trabalha dignamente, lavando as privadas e esfregando o chão dos quartos de gente rica, onde certamente, nunca poderá se hospedar. A única explicação possível para a atitude criminosa de DSK talvez devesse ser uma recaída atávica, dos tempos do colonialismo francês em África. Naqueles pérfidos tempos, o senhor branco e francês podia dispor de qualquer mulher negra para seu deleite, sem que isso se enquadrasse em crime ou qualquer tipo de ilícito penal. Inclisive na Guiné, uma de suas colônias no continente africano e terra natal da camareira. DSK jamais imaginaria que aquela humilde camareira tivesse coragem de enfrentá-lo numa luta de Davi contra Golias. Achou que saciaria seu instinto animal e voaria para a França onde era respeitado como um rei.Sua reputação confirma que é um maníaco sexual. No aeroporto, antes de ser preso, falou para a aeromoça que o atendia que ela tinha um 'belo traseiro'. Surgiu uma segunda acusação contra ele, agora em seu próprio país. Tristane Banon, filha de uma deputadado Partido Socialista, alega que foi molestada sexualmente por DSK. Para piorar sua situação, o depoimento de Kristin Davis, a 'Madame Manhattan', principal cafetina de Nova York, causará uma grande estrago em sua estratégia de defesa. Kristin disse que não protege a identidade de clientes abusadores. Contou que DSK gosta de meninas jovens e típicas do meio-oeste americano. Relatou que certa vez uma das meninas queixou-se que não queria vê-lo mais, pois ele foi muito agressivo e a forçou a fazer sexo. Disse ainda que ele costumava pagar até R$ 5.000, 00 por duas horas de prazer. A acusadora de DSK pode ser comparada à Rosa Parks, de Montgomery, no estado do Alabama, nos EUA. Vivendo sob as leis de segregação racial, cansada de uma jopranada penosa de trabalho, Rosa se recusou a ceder seu lugar em um ônibus para um homem branco, quando retronava para casa. Presa e condenada em dezembro de 1955, Rosa Parks tornou-se o símbolo da luta pelos direitos civis nos Estados Unidos. A resposta da população negra foi um boicote aos transportes coletivos da cidade que durou 386 dias, quase levando-o à falência. Do movimento dos direitos civis saíram, entre outros, Angela Davis, Panteras Negras, Malcolm X, Martin Luther King - Prêmio Nobel da Paz em 1964 e por extensão, Barak Obama, Presidente dos EUA e Prêmio Nobel da Paz em 2009. Rosa Parker e todos os outros, entregaram suas vidas à luta contra o apartheid nos Estados Unidos. Com a dignidade da luta e o orgulho em serem afro-americanos, garantiram seus lugares no panteão da glória mundial, assim como Nelson Mandela, Steve Biko e Oliver Tambo na África do Sul. Nos orgulhamos desses fantásticos seres humanos e repudiamos esse animal francês que passou tanto tempo entre livros e dinheiro para que nada de bom tivesse aprendido.quarta-feira, 18 de maio de 2011
Impérios, Ópio e Casamentos
Assisto com perplexidade o ‘frisson’ em torno da oficialização da união estável entre um dos herdeiros da coroa inglesa e uma plebéia da classe média britânica. O evento é vendido como a realização de um conto de fadas da Casa de Windsor. Eles sabem produzir um show midiático. Morei no Reino Unido por alguns anos e posso afirmar que tudo isso que lá acontece é encarado com a maior seriedade e alegria pelos seus súditos. Estudava no Hackney College em Londres e lembro-me bem do orgulho que os ingleses sentem pelo império “onde o sol nunca se põe”. Orgulham-se do poderio bélico nuclear, da vastidão do território colonial, do futebol que ‘inventaram’, do chá das cinco, das antigas tradições, dos Beatles e Rolling Stones. A força do império britânico pode ser medida pela representatividade atual de algumas das suas principais ex-colônias: EUA, Austrália, Singapura, África do Sul, Índia, Nova Zelândia, Brunei, Hong Kong, Jamaica, Honduras, Guiana e Belize, entre outras. O Império Britânico chegou a possuir cerca de 40 milhões de quilômetros quadrados e 500 milhões de habitantes. Um dos grandes responsáveis pela expansão foi Henrique VIII, o fundador da Igreja Anglicana, da Marinha Real e que cultivava o hábito de recitar poesias, apreciar a boa música e cortar as cabeças de suas esposas, seis no total. Existiram grandes impérios como Mongol, o maior de todos em extensão, construído por Gêngis Khan na Ásia Central, no século XIII. Apesar de não ter sido o maior em extensão territorial, o Império Romano foi o mais organizado no que se refere à gestão político-administrativa, arquitetura e urbanismo e organização militar. A pompa e as demonstrações de riqueza e poder dos impérios devem muito, ou tudo, à escravidão e exploração de seres humanos, pilhagens e saques, assimilação forçada da cultura alienígena, ocupação territorial pelas armas, sevícia coletiva de mulheres e crianças, enforcamentos, crucificações e toda a forma de flagelos. O centro de toda a plataforma econômica que fortaleceu a Europa no período pré-revolução industrial deu-se através do seqüestro, tráfico transatlântico e escravização de 11 milhões de africanos e 9 milhões de indígenas no Novo Mundo, das Guerras do Ópio na Ásia e da conquista e exploração de novos territórios coloniais ao redor do globo.. A Inglaterra colaborou imensamente com a escravidão através da transformação nos estaleiros de Liverpool e Plymouth, de centenas de navios comerciais em horrendos navios negreiros – menores e mais velozes, para trazerem os africanos seqüestrados que eram capturados na África Subsaariana. A exploração de suas colônias, com o sacrifício dos povos nativos enriqueceu a Inglaterra e quase todos os países europeus. Essa era a matriz do padrão global de colonização de todos os impérios que se erigiram em nosso planeta. Os hebreus foram escravos no Egito, os mamelucos eram escravos egípcios, os mongóis escravizaram os chineses, os povos eslavos dos Bálcãs foram escravos de diversos impérios (talvez de eslavo venha a palavra escravo, de ‘slave’ em inglês ou ‘sklave’ em alemão). Os heliotes eram escravos em Esparta. Enfim, onde há ou houve grande prosperidade, a escravidão e a exploração de outros povos sempre foram seus pilares. O tamanho do custo civilizatório e da riqueza do Reino Unido foi absurdamente alto para países como Índia e China. Os ingleses perpetraram um dos maiores crimes da humanidade que foi o tráfico de ópio para a China. A Inglaterra era a maior traficante de drogas daquele tempo. Eles levavam tão a sério a comercialização da droga na Ásia que produziram as famosas ‘Guerras do Ópio’, a primeira em 1839 e a segunda em 1856. Em 1840 a China importava anualmente do reino Unido cerca de 450 toneladas de ópio, ou seja, um grama para cada um dos 450 milhões de habitantes da China na época. A droga representava a metade da balança comercial sino-britânica. Nesse período a droga ameaçava diretamente a economia do país, assim como a segurança interna, através da deterioração da saúde dos soldados. Assistindo a derrocada do país um ministro chamou a atenção do imperador, com um aterrorizador comunicado: “Majestade, o preço da prata está caindo por causa do pagamento da droga. Em breve, vosso império estará falido. Quanto tempo ainda vamos permitir este jogo com o diabo? Logo não teremos mais moeda para pagar armas e munição. Pior ainda, não haverá soldados capazes de manejar uma arma porque estarão todos viciados”. Em seu livro “Mar de Papoulas” o escritor indiano Amitav Ghosh narra a incrível saga do navio inglês Ibis, que traficava ópio para a China. O livro imperdível traça um panorama de realidade que conjuga a ação e aventura contida em Dumas com a profundidade de Tolstoi e as emoções de Charles Dickens. Ghosh construiu uma grande obra, que certamente já conquistou seu lugar na galeria dos grandes clássicos.Em relação ao enlace, não me agrada de jeito nenhum essa arcaica demonstração imperial, em tempos tão modernos, com tanta miséria e exclusão social em todos os recantos do planeta. Não entendi como o mundo inteiro pode parar para assistir um casamento de duas pessoas que já vivem juntas há 8 anos e com aquela carruagens emplumadas e personagens que parecem fantasiados de 'generais de opereta', como bem disse o bom Veríssimo. Não vamos nem considerar a piada do Monty Python que disse estar o Príncipe Philippe meio ‘apagadão’ e ao acordar teria perguntado quem era o louco que estava se casando.Meu apanágio é ficar solidário com a memória daqueles que sofreram e morreram sob as piores atrocidades, para que a pompa imperial e o fausto se instalassem. Solidarizo-me com as famílias que perderam seus entes queridos no tráfico negreiro, na dormência do ópio ou no genocídio dos povos indígenas. As imagens enaltecidas e replicadas do evento foram distribuídas para todo o mundo como exemplo de organização, riqueza e poder. Foi uma clara demonstração eurocêntrica que o projeto de globalização e expansão capitalista necessita sobreviver. Mesmo que para isso se trabalhe o inconsciente coletivo de nossa ansiosa aldeia global.
Churrascão da Gente Diferenciada
Chamou atenção na Internet uma convocação para um evento denominado: “Churrascão da Gente Diferenciada”, que foi um dos tópicos mais acessados no Twitter em maio deste ano e, faltando uma semana para sua realização já haviam sido listadas cerca de 14.000 confirmações. A página do ‘churrascão’ no Facebook é um sucesso e marca definitivamente no Brasil o início da militância desorganizada, porém antenada e engajada. Que motivo levaria seis dezenas de milhares de pessoas que nunca se vira, reunirem em pleno sábado em torno de um churrasco no meio da rua em um lugar tão aristocrático como Higienópolis? Por que o nome ‘Churrascão da Gente Diferenciada’? Tudo começou com um manifesto com 3.500 assinaturas de uma associação denominada ‘Defenda Higienópolis’, que se opôs à construção da estação do metrô no bairro, justificando que a obra atrairia “uma gente diferenciada", justificativa imediatamente abraçada e acatada pelo PSDB. A situação não se constituiu em fato isolado, pois, esta não é a primeira vez que o governador Geraldo Alckmin atende às pressões da burguesia contra construções do metrô. A Linha Amarela teve a construção de uma estação na Zona Sul cancelada pelo mesmo motivo, a freqüência de gente diferenciada.Vale ressaltar que Higienópolis é como Paris seria sem o Rio Sena: muito dinheiro e pouco charme. É um enclave burguês na paulicéia desvairada, onde tudo acontece sempre em alta velocidade e com muita diversidade. A ‘sampa’ que amamos é a de Florestan Fernandes, Mário de Andrade, Zé do Caixão e Tom Zé. A ‘sampa’ que cultuamos pariu o anarco-sindicalismo, a Semana de 22 e o ABC de Lula. Essa urbe multicultural e pluriétnica onde Rita Lee reina ao lado de Mano Brown e Netinho, jamais irá ‘bancar’ uma proposta de segregação, que nomeia os ‘sem Mercedes’ como ‘gente diferenciada’. Pois é, ao mudar de local a construção da estação da linha 6 do metrô paulistano, atendendo à xenofobia do grão-ducado local, o PSDB paulistano também mudou de trilho e assumiu sua plumagem real. Entrou na maior ‘saia-justa’ política com a população de São Paulo, quiçá do Brasil. A legenda que trava uma luta sem quartel para se livrar da pecha de representante da aristocracia nacional, ‘espirrou o taco’, se envolvendo com o que poderá ser a maior ‘sinuca de bico’ do tucanato dos últimos tempos. Se morassem em Canaãn, à época de Jesus, os burgueses de Heliópolis avaliariam Jesus e seus seguidores com muita atenção. Certamente malvestidos e cabeludos, apóstolos e Mestre não seriam recebidos com bons olhos pelos dandis do território. Convidados para uma festa de casamento, onde o vinho terminou antes da hora, o Filho de Deus operou seu primeiro milagre, transformando água em vinho conforme narra a perícopa bíblica em João 2, 1-11. Certamente, na hipotética Canaã, a avaliação dos Heliopolitanos sobre Cristo e seus apóstolos, seria que, filho de um carpinteiro, nascido numa gruta, sem ocupação fixa e com um grupo enorme de malvestidos a segui-lo, não poderia ser coisa boa para a cidade. Não diferiria muito da avaliação diária a que são submetidos Seus filhos contemporâneos que hoje habitam as grandes metrópoles. Vagando à espera de uma transformação, de um milagre, que lhes ofereça a cidadania e a justiça social, o pão e o vinho, a paz e o lar, família e trabalho. Com certeza Jesus Cristo e seus apóstolos seriam alcunhados pelos Heliopolitanos como ‘gente diferenciada’. O ‘churrascão’ aconteceu como previsto, no sábado, 14 de maio. Na véspera do evento, 60 mil pessoas já tinham se comprometido em participar da manifestação etílico-gastronômica. Não havia ‘chefetes’ políticos, sindicatos ou parlamentares oportunistas na organização do protesto. A ‘manif regabofe’ foi realizada defronte ao Shopping Higienópolis, reduto da elite local, com muita cerveja, samba e pagode. Para alegria geral, a única pimenta utilizada não foi a do ‘spray’ da Polícia Militar e sim a boa e velha malagueta, que temperava geral os espetinhos gordurosos e felizes. 
Lya LuftLya Luft Lya Luft Lya Luft Lya Luft Lya Luft Lya Luft Lya Luft Lya Luft LyaLuftLiaLuftLya
“Mês passado participei de um evento sobre as mulheres no mundo contemporâneo.
Era um bate-papo com uma platéia composta de umas 250 mulheres de todas as raças, credos e idades. E por falar em idade, lá pelas tantas, fui questionada sobre a minha e, como não me envergonho dela, respondi.
Foi um momento inesquecível... A platéia inteira fez um 'oooohh' de descrédito.
Aí fiquei pensando: 'pô, estou neste auditório há quase uma hora exibindo minha inteligência, e a única coisa que provocou uma reação calorosa da mulherada foi o fato de eu não aparentar a idade que tenho? Onde é que nós estamos?'
Onde, não sei, mas estamos correndo atrás de algo caquético chamado 'juventude eterna'. Estão todos em busca da reversão do tempo.
Acho ótimo, porque decrepitude também não é meu sonho de consumo, mas cirurgias estéticas não dão conta desse assunto sozinhas.
Há um outro truque que faz com que continuemos a ser chamadas de senhoritas, mesmo em idade avançada. A fonte da juventude chama-se ‘mudança’.
De fato, quem é escravo da repetição está condenado a virar cadáver antes da hora.
A única maneira de ser idoso sem envelhecer é não se opor a novos comportamentos, é ter disposição para guinadas.
Eu pretendo morrer jovem aos 120 anos.
Mudança, o que vem a ser tal coisa?
Minha mãe recentemente mudou do apartamento enorme em que morou a vida toda para um bem menorzinho.
Teve que vender e doar mais da metade dos móveis e tranqueiras, que havia guardado e, mesmo tendo feito isso com certa dor, ao conquistar uma vida mais compacta e simplificada, rejuvenesceu.
Uma amiga casada há 38 anos cansou das galinhagens do marido e o mandou passear, sem temer ficar sozinha aos 65 anos.
Rejuvenesceu.
Uma outra cansou da pauleira urbana e trocou um baita emprego por um não tão bom, só que em Florianópolis, onde ela vai à praia sempre que tem sol.
Rejuvenesceu.
Toda mudança cobra um alto preço emocional.
Antes de se tomar uma decisão difícil, e durante a tomada, chora-se muito, os questionamentos são inúmeros, a vida se desestabiliza.
Mas então chega o depois, a coisa feita, e aí a recompensa fica escancarada na face.
Mudanças fazem milagres por nossos olhos, e é no olhar que se percebe a tal juventude eterna.
Um olhar opaco pode ser puxado e repuxado por um cirurgião a ponto de as rugas sumirem, só que continuará opaco porque não existe plástica que resgate seu brilho.
Quem dá brilho ao olhar é a vida que a gente optou por levar.
Olhe-se no espelho...”
HOMOFOBIA? Tô Fora!!!!

Parece que o machismo no Brasil sofreu um sério revés com a decisão do STF em reconhecer a “união estável” - termo que quer dizer casamento sem dizer - entre homossexuais. O exagerado sentimento de orgulho masculino está fadado à vala comum das excentricidades jurássicas da espécie humana. O preconceito contra homossexuais contém em seu bojo o mesmo sentimento que erigiu o nazi-facismo, a Ku Klux Klan, a escravidão, a xenofobia, os genocídios, enfim, tudo o que de pior produziu a espécie humana. A simples aceitação do outro, mesmo que com outras diferenças das nossas, que para os outros também são diferenças, tornaria esse planeta mais habitável, no que toca à civilidade e às práticas do bom pensamento e das boas maneiras.
O reconhecimento pelos ministros do Supremo Tribunal Federal - STF que a relação homoafetiva é uma família, fizeram justiça aos 60 mil casais de pessoas do mesmo sexo, segundo o último censo, e baniram do Brasil definitivamente a ‘inquisição surda’ que sempre calou nossa sociedade perante as injustiças perpetradas contra aqueles que pretendem viver em paz, com suas preferências sexuais, famílias e amores ao seu bem entender. Um dos ministros enfatizou em seu voto que a união homoafetiva é uma realidade social, um dado da vida. Na prática, a decisão viabiliza para os homossexuais direitos como pensão, herança e adoção. Agora, se um clube vetar o nome de um companheiro homossexual como dependente, por exemplo, o casal pode entrar na Justiça e provavelmente ganhará a causa, pois os juízes tomarão sua decisão com base no que disse o STF sobre o assunto, reconhecendo a união estável.
O ministro Celso de Mello deu seu voto afirmando que "toda pessoa tem o direito de constituir família, independentemente de orientação sexual ou identidade de gênero. Não pode um Estado Democrático de Direito conviver com o estabelecimento entre pessoas e cidadãos com base em sua sexualidade. É inconstitucional excluir essas pessoas". O ministro referendou que não se pode confundir questões jurídicas com questões de caráter moral ou religioso porque Brasil é um país laico. “A República é laica e, portanto, embora respeite todas as religiões, não se pode confundir questões jurídicas com questões de caráter moral ou religioso”, disse.
Em seu voto, o Ministro Luiz Fux declarou: "Por que o homossexual não pode constituir uma família? Por força de duas questões que são abominadas pela Constituição: a intolerância e o preconceito", afirmou. "Quase a Constituição como um todo conspira para a equalização da união homoafetiva à união estável", disse.
No Congresso Nacional, uma pesquisa realizada entre 320 deputados federais mostra que 228 são a favor do reconhecimento da "união estável" entre homossexuais. Já na questão da adoção de crianças por parte de casais gays, o placar foi apertado para os que apóiam: (154 X 145), fato que atualmente é possível, sendo que a partir de agora o nome dos dois parceiros ou parceiras, poderá constar no documento.
Outro grande passo que está sendo dado no Congresso Nacional é a tipificação da homofobia como crime. Projeto já aprovado na Câmara dos Deputados que está para ser votado no Senado, aonde se aprovado, irá para a sanção presidencial. Acredito que será uma dura batalha entre grandes poderes, pois, a relação homoafetiva é condenada por quase todas as religiões. Como será a criminalizar o preconceito sem ferir e ameaçar as instituições religiosas e suas liberdades de crença e expressão?
Recuperando o velho jargão das passeatas de rua dos anos 60, a luta continua. Precisamos garantir uma sociedade mais humana para as futuras gerações. Precisamos ainda mais, prestarmos toda a nossa solidariedade às pessoas discriminadas e aviltadas pela chaga da homofobia. Das pedras que querem atirar em Sakineh Ashtiani, no Irã, às fogueiras da Inquisição da Idade Média, às clitoriplastias africanas, às extirpações de narizes praticadas pelos maridos afegãos, às execuções de travestis nas ruas do Brasil, uma coisa é certa, condenar a homofobia e o preconceito é a coisa certa a fazer.

Andrea Horta
Quando fazia teatro em São Paulo, Andréia Horta buscava um jeito de pagar as contas. Juntou os textos que estavam guardados na gaveta e, numa edição independente, lançou um livro de poesias, "Humana Flor". O tempo de dureza passou. Andréia estrelou a série "Alice", na HBO, fez parte do elenco de "A cura", na Globo, e agora brilha na novela das seis, "Cordel Encatado". Mas a poesia ficou para sempre. Andréia faz uma poesia feminina. Não por acaso seu livro tem epígrafe de Clarice Lispector e um texto dedicado a Ana Cristina Cesar. Veja aqui embaixo um exemplo. Não tem título, como todas as poesias da atriz. É apenas a número 4.
Número 4
Quando faço o prato do meu homem
Encho de recheio pra ele gostar até o fim.
Quando ele vai chegar
Coloco grampo no cabelo
Ponho fronha branca pra ele dormir em paz
Passo bem o bife e a camisa dele
Arrumo as gavetas
Faço ele gozar
Depois ele ronca bem baixinho no meu ouvido
Quando ele me toca meu rio corre
E eu sou tanto que quase desapareço
e ele é tanto que quase não existe
É um homem livre
E eu sei disso.












