Amauri Queiroz

terça-feira, 27 de setembro de 2011

Judeus, Palestinos e a Tristeza de Jesus Cristo

O governo palestino aguarda com ansiedade a análise do seu pedido de inclusão como membro do grupo de países que compõem as Nações Unidas. O Conselho de Segurança da entidade está reunido para emitir o parecer que, parece ser, a maior contenda política dos tempos modernos na seara diplomática internacional.
A ONU decidiu em 1948 que a Palestina seria dividida ao meio para se instalar o Estado de Israel, criando enorme celeuma à época. A União Soviética e os países árabes discordaram veementemente da proposta norte-americana. A escolha da Palestina, violações à parte, deu-se por motivos antropológicos, sociológicos e religiosos, pois os judeus viviam naquele território há cerca de 2000 anos, de onde foram expulsos e desde então vagavam pela diáspora.
Em 1917, Lord Balfour, o secretário inglês para os Negócios Estrangeiros, fez publicar a Declaração Balfour, em que apoiava a imigração de judeus para a Palestina e o estabelecimento de um "lar nacional para o povo judeu" na região, afirmando que "nada será feito que possa prejudicar os direitos civis e religiosos das comunidades não judaicas existentes”. A Grã-Bretanha teve, obviamente, dificuldade de conciliar esta declaração com a estratégia que estava a seguir, no Médio Oriente, de uma aliança com os potentados árabes na guerra contra o Império Otomano.
A partir do início do século XX muitos grupos de judeus que viviam em diversas partes do mundo iniciaram o retorno àquela região, aumentando sistematicamente durante a segunda grande guerra, alternativa que encontraram para fugir da perseguição do nazi-fascismo.
Com o término da guerra, os judeus intensificaram as reivindicações por um estado judeu, pressionando a recém-nascida ONU, com o apoio dos EUA e de diversos países ocidentais e vencedores do conflito. Além das vinculações históricas, interessava aos ocidentais que se criasse um país não-islâmico naquela região.
Após a divisão da Palestina, Israel invadiu a outra parte, que hoje são os territórios ocupados e aniquilou as possibilidades da criação da pátria palestina.
O povo palestino desde então vive na diáspora, reivindicando a mesma coisa que os judeus reclamavam e foram atendidos. A origem deste conflito nos remete a tempos imemoriais e tem a cidade de Jerusalém como principal ponto de discórdia entre os dois povos.
Vale a pena lembrar que o Estado Palestino é reconhecido por 131 países membros das Nações Unidas, inclusive pelo Vaticano. É de se lamentar que os interesses das grandes nações sejam uma cunha no processo de paz tão necessário àquela região, onde, as crianças ao invés de admirar pássaros, acompanham mísseis e aviões de caça em seus céus. Os bombardeios são assustadores e nenhuma mãe sabe se seu filho retornará para o jantar.
Pobre Jesus Cristo, que tanto sofreu para nos salvar, vendo tamanha insensatez e incompreensão na terra em que nasceu, viveu e morreu.

sexta-feira, 23 de setembro de 2011

O Brasil e o Conselho de Segurança da ONU - Obsessão para se Sentar Entre os Poderosos

Talvez por não ser um especialista em relações internacionais, não consiga entender a fixação dos presidentes brasileiros em conseguir um assento no Conselho de segurança da ONU. Todas as vezes que um presidente brasileiro vai às reuniões das Nações unidas começa o lengalenga em torno do tal assento.
Não tenho nada contra o Brasil assentar e nem vou aqui me posicionar como um iconoclasta deletério às pretensões do orgulho tupiniquim. Porém, tenho cá alguns questionamentos: Ficar lá no meio dos grandões e ricaços pode ser um sinal de poder, porém, quando vejo os noticiários da imprensa brasileira me sinto meio constrangido e às vezes até meio perdido no meu pequeno grau de compreensão da temática geopolítica internacional.
Como pode um país em que as pessoas estão morrendo sem atendimento nos hospitais públicos, os narcotraficantes dominarem territórios nas principais capitais do país, com o trânsito matando mais de 50.000 pessoas/ano (sem contar as que morrem depois), país onde a universidade pública quase não tem negros (apesar de sua população ser 60% afrodescendente), país onde os líderes rurais são assassinados cotidianamente, país onde um professor do ensino fundamental tem o piso salarial de R$ 400,00, país onde meninas de até 11 anos se prostituem nas estradas e são até (pasmem!) levadas para o interior de presídios para se prostituiirem com os presos, país onde as grandes extensões de terra são concentrada nas mãos de poucos, país onde parlamentares são flagrados se corrompendo e mesmo assim são inocentados pelo parlamento e finalmente país, homofóbico, onde gays estão sendo espancados nas principais avenidas das cidades, sem que haja punição exemplar para os agressores, quer um assento no Conselho de Segurança da ONU.
Na minha humilde condição de beócio das pretensões brasileiras na seara internacional, sinto-me levado a pensar o quão bom seria se o Brasil resolvesse assentar e dar segurança aos Direitos Humanos, aos camponeses da reforma agrária, à educação e saúde, aos trabalhadores urbanos, aos cidadãos e cidadãs comuns que estão sendo mortos por veículos e por malfeitores. O Brasil deveria assentar primeiro o acesso universal ao saneamento básico, o combate à Dengue, o desarmamento e a Economia Solidária. Por isso, fico meio ressabiado com essa voracidade em querer se sentar entre os poderosos. Será que é para afirmar poder? A impressão que me dá é que é um gigante com pés de barro.

quinta-feira, 22 de setembro de 2011

Primavera Árabe Regada a Churrascão, Vassouras e Internet

Ganha força no Brasil o movimento político espontâneo que denuncia a corrupção endêmica que grassa em nossa sociedade. A ignição foi em Brasília, tomando força com o caso Jaqueline Roriz e enfunando as velas no Rio de Janeiro, com as emblemáticas vassouras verdes e amarelas.
Apesar do ícone neo-janista fazer os mais antigos se arrepiarem até a medula, torna-se salutar sermos brindados pela sociedade civil se organizando em torno de tema tão caro à nossa democracia.
Alguns representantes de partidos de esquerda estão brandindo ferozmente suas adagas contra o movimento, pois, acreditam que qualquer tipo de manifestação popular só pode ser conduzido pelos partidos e entidades ligadas ao sonho do socialismo.
Os ventos contra-alísios do Saara trazem o calor das multidões árabes ávidas por democracia e ética na política. Cruzam os oceanos e nos mostram que precisamos estrar atentos às mazelas dos maus políticos e governantes autoritários. A inesquecível primavera árabe aquece nossos corações e mentes, que anseiam por um mundo mais justo e democrático.
O fator de ineditismo que se apresenta no novíssimo cenário político brasileiro é a convocação das manifestações “próéticas” – diríamos até poéticas - pelas redes sociais, que tiveram início a partir do bizarro e hilário chamamento para o “Churrascão da Gente Diferenciada” em São Paulo. O evento espontâneo criticava parte da burguesia paulistana que era contra a instalação de uma estação de metrô, alegando que a mesma atrairia uma “gente diferenciada” para o bairro burguês. Não levaram a sério e, para espanto de muitos, o ‘convescote’ reuniu cerca de 60 mil pessoas, entrando para a história do anedotário político nacional como um fenômeno popular, sem direção política e com a ausência das desgastadas e cansativas palavras de ordem.
Novos tempos se anunciam. Novos atores políticos também. A boa nova do novíssimo cenário é a bem vinda participação da classe média nas manifestações populares. Impensáveis em tempos imemoriais. As mobilizações via Facebook, Tweeter, Orkut, entre outras, servem para mostrar aos velhos caudilhos das esquerdas (e também das direitas) que o século XXI pertence a todos, e não a meia dúzia de marxistas messiânicos brandindo suas carteirinhas de agremiações gauche.
Há muito trabalho pela frente. Depois do fracasso da tentativa de ‘desrorização’ da política em Brasília. O fim do voto secreto seria por si só um passo importante para que o próximo clique não possa ser adiado.

segunda-feira, 19 de setembro de 2011

Plumbking - Nova Mania Bizarra

Já não bastasse o "planking", mania em que as pessoas se deixam fotografar esticadas e apoiadas entre duas coisas por cabeça e pés, surge agora em uma versão mais escatológica, onde as pessoas aparecem com a cabeça para baixo dentro de uma privada. Chamada de "plumbking". Essa equisitice surgiu na Inglaterra, onde o bizarro parece ter uma certa dose de normalidade. As fotos foram publicadas no jornal "Daily Mail". Ninguém merece!!!! Deus salve a rainha....Literalmente...


sexta-feira, 16 de setembro de 2011

A Terra se Defende: faz Diminuir o Crescimento - Leonardo Boff

A crise econômica-financeira de 2008 e retornada agora em 2011 refuta o mito do crescimento. Há uma cegueira generalizada que não poupa sequer os 17 Nobeis da economia, como se viu recentemente no seu encontro no lago Lindau no sul da Alemanha.
Hoje é vastamente aceita e entrou já nos manuais de ecologia mais recentes (cf.R. Barbault, Ecologia Geral, Vozes 2011) a idéia de que a Terra é viva. Primeiramente, ela foi proposta pelo geoquímico russo W.Vernadsky na década de 1920 e retomada, nos anos de 1970, com mais profundidade por J. Lovelock e entre nós por J. Lutzenberger, chamando-a de Gaia.
Com isso se quer significar que a Terra é um gigantesco superorganismo que se autoregula, fazendo com que todos os seres se interconectem e cooperem entre si. Nada está à parte, pois tudo é expressão da vida de Gaia, inclusive as sociedades humanas, seus projetos culturais e suas formas de produção e consumo. Ao gerar o ser humano, consciente e livre, a própria Gaia se pôs em risco. Ele é chamado a viver em harmonia com ela mas pode também o romper o laço de pertença. Ela é tolerante mas quando a ruptura se torna danosa para o todo, ela nos dá amargas lições. E podemos senti-las já agora.
Todos estão lamentando o baixo crescimento mundial, especialmente nos paises centrais. As razões aduzidas são múltiplas. Mas para uma visão da ecologia radical, tal fato resulta de uma reação da própria Terra face à excessiva exploração pelo sistema produtivista e consumista dos paises industrializados. Ele levou tão longe a agressão ao sistema-Terra a ponto de, como afirmam alguns cientistas, inauguramos uma nova era geológica: o antropoceno, o ser humano como uma força geológica destrutiva, acelerando a sexta extinção em massa que já há milênios está em curso.
Gaia está se defendendo, debilitando as condições do arraigado mito de todas as sociedades atuais, inclusive a do Brasi:do crescimento, o maior possível, com consumo ilimitado.
Já em 1972 o Clube de Roma se dava conta dos limites do crescimento, não mais suportável pela Terra. Ela precisa de um ano e meio para repor o que extraimos dela num ano. Portanto, o crescimento é hostil à vida e fere a resiliência da Mãe Terra. Mas não sabemos nem queremos interpretar os sinais que ela nos dá. Queremos crescer mais e mais e, consequentemente, consumir à tripa forra. O relatório “Perspectivas Econômicas Mundiais” do FMI, prevê para 2012 um crescimento mundial de 4,3%. Vale dizer, vamos tirar mais riquezas da Terra, desequilibrando-a como dá mostras pelo aquecimento global.
A “Avaliação Sistêmica do Milênio” realizada entre 2001 e 2005 pela ONU, ao constatar a degradação dos principais itens que sustentam a vida advertiu: ou mudamos de rota ou pomos em risco o futuro de nossa civilização.
A crise econômica-financeira de 2008 e retornada agora em 2011 refuta o mito do crescimento. Há uma cegueira generalizada que não poupa sequer os 17 Nobeis da economia, como se viu recentemente no seu encontro no lago Lindau no sul da Alemanha. À exceção de J. Stiglitz, todos eram concordes em sustentar que o marco teórico da atual economia não teve nenhuma responsabilidade pela crise atual (Página 12, B. Aires, 28/08/2011). Por isso, ingenuamente postularam seguir a mesma rota de crescimento, com correções, sem se dar conta de que estão sendo maus conselheiros.
Mas importa reconhecer um dilema de difícil solução: há regiões do planeta que precisam crescer para atender demandas de pobres, obviamente, cuidando da natureza e evitando a incorporação da cultura do consumismo; e outras regiões já super desenvolvidas precisam ser solidárias com as pobres, controlar seu crescimento, tomar apenas o que é natural e renovável, restaurar o que devastaram e devolver mais do que retiraram para que as futuras gerações também possam viver com dignidade, junto com a comunidade de vida.
A redução do crescimento representa uma reação sábia da própria Terra que nos passa este recado: “parem com a idéia tresloucada de um crescimento ilimitado, pois ele é como um câncer que vai corroer todas as fontes da vida; busquem o desenvolvimento humano, dos bens intangíveis que, este sim, pode crescer sem limites como o amor, o cuidado, a solidariedade, a compaixão, a criação artística e espiritual”.
Não incorro em erro na crença de que há ouvidos atentos para essa mensagem e que faremos a travessia ansiada.
Leonardo Boff é teólogo e escritor.





quinta-feira, 15 de setembro de 2011

ESCRITOS DE ‘ABDU’L-BAHÁ

"Deus não faz distinção alguma entre branco e preto. Se os corações são puros, ambos Lhe são aceitáveis. Deus não discrimina entre pessoas por causa de cor ou raça. Todos as cores Lhe são aceitáveis, sejam brancos pretos ou amarelos. Desde que todos foram criados à imagem de Deus devemos vir a compreender que todos incorporam possibilidades divinas." (DOS ESCRITOS DE ‘ABDU’L-BAHÁ - BAHA'I)

terça-feira, 13 de setembro de 2011

Miss Universo 2011 - Africana Ganha o Concurso Calando os Racistas

Para desespero e perplexidade dos neonazistas, a angolana Leila Lopes, conquistou público e júri e foi eleita Miss Universo 2011 no concurso realizado em São Paulo no último dia 12 de setembro. Leila recebeu a coroa e a faixa da mexicana Ximena Navarrete, a Miss Universo 2010.
Única negra a estar entre as finalistas - e quarta integrante do continente africano a vencer o concurso -, Leila falou sobre os ataques racistas que as candidatas do continente africano sofreram no Brasil, através de sites neonazistas: "Felizmente o racismo não me atinge. Acho que os racistas precisam procurar ajuda, não é normal em pleno século XXI ainda pensarem dessa forma. Devemos todos nos respeitar, independente da raça, do sexo e do meio social", disse.
O Diamante Negro, como é conhecida em seu país, prometeu utilizar a coroa e sua influência na luta contra a AIDS, que é o principal projeto de Angola. A preferida do público superou a ucraniana Olesia Stefano, segunda colocada e a brasileira Priscilla Machado em terceiro. Completaram o TOP 5 a Miss Filipinas Shamcey Supsup e a chinesa Luo Zilin. A posição pluriétnica das cinco primeiras finalistas mostram que houve uma mudança provavelmente definitiva no padrão eurocêntrico que sempre predominou esse tipo de concurso.
O povo brasileiro deu uma resposta á altura para os doentes e ensandecidos neonazistas, que apregoavam os atributos das candidatas europeias em detrimento das candidatas não-brancas que concorriam ao título. Espero que o próximo concurso explique para o mundo que a diferença de cor da pele e outras diferenças genéticas são apenas meras adaptações às mudanças climáticas que os primeiros grupos humanos que saíram da África há 50.000 anos.
Empenhados na busca por territórios menos agressivos para viverem, os primeiros grupos humanos da África partiram em diversas direções no planeta. Um alcançou a Austrália, o outro Ásia Central, que se dividiu em dois, uma para a Europa, e a outro cruzou o Estreito de Bering, chegando à América.