I'm Back!!!!
domingo, 2 de setembro de 2012
terça-feira, 11 de outubro de 2011
segunda-feira, 10 de outubro de 2011
Rafinha Bastos e o Humor Antropofágico - Custe o Que Custar
Rafinha Bastos apresentador do polêmico CQC, que saiu um dia do Brasil para tentar a sorte nos EUA como jogador profissional de basquete, deu uma tremenda bola fora ao afirmar que comeria Wanessa Camargo, que está grávida e seu bebê. Considerado o homem mais influente do Twitter, viu sua popularidade ser enterrada por conta do seu destempero verbal à frente do CQC junto com Marcelo Tas e Marco Luque. Não foi um caso isolado, o grandão gaúcho já chamou a apresentadora Daniela Albuquerque da RedeTV de cadela, além de outros impropérios.
terça-feira, 27 de setembro de 2011
Judeus, Palestinos e a Tristeza de Jesus Cristo
O governo palestino aguarda com ansiedade a análise do seu pedido de inclusão como membro do grupo de países que compõem as Nações Unidas. O Conselho de Segurança da entidade está reunido para emitir o parecer que, parece ser, a maior contenda política dos tempos modernos na seara diplomática internacional.
A ONU decidiu em 1948 que a Palestina seria dividida ao meio para se instalar o Estado de Israel, criando enorme celeuma à época. A União Soviética e os países árabes discordaram veementemente da proposta norte-americana. A escolha da Palestina, violações à parte, deu-se por motivos antropológicos, sociológicos e religiosos, pois os judeus viviam naquele território há cerca de 2000 anos, de onde foram expulsos e desde então vagavam pela diáspora.
Em 1917, Lord Balfour, o secretário inglês para os Negócios Estrangeiros, fez publicar a Declaração Balfour, em que apoiava a imigração de judeus para a Palestina e o estabelecimento de um "lar nacional para o povo judeu" na região, afirmando que "nada será feito que possa prejudicar os direitos civis e religiosos das comunidades não judaicas existentes”. A Grã-Bretanha teve, obviamente, dificuldade de conciliar esta declaração com a estratégia que estava a seguir, no Médio Oriente, de uma aliança com os potentados árabes na guerra contra o Império Otomano.
A partir do início do século XX muitos grupos de judeus que viviam em diversas partes do mundo iniciaram o retorno àquela região, aumentando sistematicamente durante a segunda grande guerra, alternativa que encontraram para fugir da perseguição do nazi-fascismo.
Com o término da guerra, os judeus intensificaram as reivindicações por um estado judeu, pressionando a recém-nascida ONU, com o apoio dos EUA e de diversos países ocidentais e vencedores do conflito. Além das vinculações históricas, interessava aos ocidentais que se criasse um país não-islâmico naquela região.
Após a divisão da Palestina, Israel invadiu a outra parte, que hoje são os territórios ocupados e aniquilou as possibilidades da criação da pátria palestina.
O povo palestino desde então vive na diáspora, reivindicando a mesma coisa que os judeus reclamavam e foram atendidos. A origem deste conflito nos remete a tempos imemoriais e tem a cidade de Jerusalém como principal ponto de discórdia entre os dois povos.
Vale a pena lembrar que o Estado Palestino é reconhecido por 131 países membros das Nações Unidas, inclusive pelo Vaticano. É de se lamentar que os interesses das grandes nações sejam uma cunha no processo de paz tão necessário àquela região, onde, as crianças ao invés de admirar pássaros, acompanham mísseis e aviões de caça em seus céus. Os bombardeios são assustadores e nenhuma mãe sabe se seu filho retornará para o jantar.
Pobre Jesus Cristo, que tanto sofreu para nos salvar, vendo tamanha insensatez e incompreensão na terra em que nasceu, viveu e morreu.
sexta-feira, 23 de setembro de 2011
O Brasil e o Conselho de Segurança da ONU - Obsessão para se Sentar Entre os Poderosos
Talvez por não ser um especialista em relações internacionais, não consiga entender a fixação dos presidentes brasileiros em conseguir um assento no Conselho de segurança da ONU. Todas as vezes que um presidente brasileiro vai às reuniões das Nações unidas começa o lengalenga em torno do tal assento.
Não tenho nada contra o Brasil assentar e nem vou aqui me posicionar como um iconoclasta deletério às pretensões do orgulho tupiniquim. Porém, tenho cá alguns questionamentos: Ficar lá no meio dos grandões e ricaços pode ser um sinal de poder, porém, quando vejo os noticiários da imprensa brasileira me sinto meio constrangido e às vezes até meio perdido no meu pequeno grau de compreensão da temática geopolítica internacional.
Como pode um país em que as pessoas estão morrendo sem atendimento nos hospitais públicos, os narcotraficantes dominarem territórios nas principais capitais do país, com o trânsito matando mais de 50.000 pessoas/ano (sem contar as que morrem depois), país onde a universidade pública quase não tem negros (apesar de sua população ser 60% afrodescendente), país onde os líderes rurais são assassinados cotidianamente, país onde um professor do ensino fundamental tem o piso salarial de R$ 400,00, país onde meninas de até 11 anos se prostituem nas estradas e são até (pasmem!) levadas para o interior de presídios para se prostituiirem com os presos, país onde as grandes extensões de terra são concentrada nas mãos de poucos, país onde parlamentares são flagrados se corrompendo e mesmo assim são inocentados pelo parlamento e finalmente país, homofóbico, onde gays estão sendo espancados nas principais avenidas das cidades, sem que haja punição exemplar para os agressores, quer um assento no Conselho de Segurança da ONU.
Na minha humilde condição de beócio das pretensões brasileiras na seara internacional, sinto-me levado a pensar o quão bom seria se o Brasil resolvesse assentar e dar segurança aos Direitos Humanos, aos camponeses da reforma agrária, à educação e saúde, aos trabalhadores urbanos, aos cidadãos e cidadãs comuns que estão sendo mortos por veículos e por malfeitores. O Brasil deveria assentar primeiro o acesso universal ao saneamento básico, o combate à Dengue, o desarmamento e a Economia Solidária. Por isso, fico meio ressabiado com essa voracidade em querer se sentar entre os poderosos. Será que é para afirmar poder? A impressão que me dá é que é um gigante com pés de barro.
quinta-feira, 22 de setembro de 2011
Primavera Árabe Regada a Churrascão, Vassouras e Internet
Ganha força no Brasil o movimento político espontâneo que denuncia a corrupção endêmica que grassa em nossa sociedade. A ignição foi em Brasília, tomando força com o caso Jaqueline Roriz e enfunando as velas no Rio de Janeiro, com as emblemáticas vassouras verdes e amarelas.
Apesar do ícone neo-janista fazer os mais antigos se arrepiarem até a medula, torna-se salutar sermos brindados pela sociedade civil se organizando em torno de tema tão caro à nossa democracia.
Alguns representantes de partidos de esquerda estão brandindo ferozmente suas adagas contra o movimento, pois, acreditam que qualquer tipo de manifestação popular só pode ser conduzido pelos partidos e entidades ligadas ao sonho do socialismo.
Os ventos contra-alísios do Saara trazem o calor das multidões árabes ávidas por democracia e ética na política. Cruzam os oceanos e nos mostram que precisamos estrar atentos às mazelas dos maus políticos e governantes autoritários. A inesquecível primavera árabe aquece nossos corações e mentes, que anseiam por um mundo mais justo e democrático.
O fator de ineditismo que se apresenta no novíssimo cenário político brasileiro é a convocação das manifestações “próéticas” – diríamos até poéticas - pelas redes sociais, que tiveram início a partir do bizarro e hilário chamamento para o “Churrascão da Gente Diferenciada” em São Paulo. O evento espontâneo criticava parte da burguesia paulistana que era contra a instalação de uma estação de metrô, alegando que a mesma atrairia uma “gente diferenciada” para o bairro burguês. Não levaram a sério e, para espanto de muitos, o ‘convescote’ reuniu cerca de 60 mil pessoas, entrando para a história do anedotário político nacional como um fenômeno popular, sem direção política e com a ausência das desgastadas e cansativas palavras de ordem.
Novos tempos se anunciam. Novos atores políticos também. A boa nova do novíssimo cenário é a bem vinda participação da classe média nas manifestações populares. Impensáveis em tempos imemoriais. As mobilizações via Facebook, Tweeter, Orkut, entre outras, servem para mostrar aos velhos caudilhos das esquerdas (e também das direitas) que o século XXI pertence a todos, e não a meia dúzia de marxistas messiânicos brandindo suas carteirinhas de agremiações gauche.
Há muito trabalho pela frente. Depois do fracasso da tentativa de ‘desrorização’ da política em Brasília. O fim do voto secreto seria por si só um passo importante para que o próximo clique não possa ser adiado.
segunda-feira, 19 de setembro de 2011
Plumbking - Nova Mania Bizarra
Já não bastasse o "planking", mania em que as pessoas se deixam fotografar esticadas e apoiadas entre duas coisas por cabeça e pés, surge agora em uma versão mais escatológica, onde as pessoas aparecem com a cabeça para baixo dentro de uma privada. Chamada de "plumbking". Essa equisitice surgiu na Inglaterra, onde o bizarro parece ter uma certa dose de normalidade. As fotos foram publicadas no jornal "Daily Mail". Ninguém merece!!!! Deus salve a rainha....Literalmente...
sexta-feira, 16 de setembro de 2011
A Terra se Defende: faz Diminuir o Crescimento - Leonardo Boff
A crise econômica-financeira de 2008 e retornada agora em 2011 refuta o mito do crescimento. Há uma cegueira generalizada que não poupa sequer os 17 Nobeis da economia, como se viu recentemente no seu encontro no lago Lindau no sul da Alemanha.
Hoje é vastamente aceita e entrou já nos manuais de ecologia mais recentes (cf.R. Barbault, Ecologia Geral, Vozes 2011) a idéia de que a Terra é viva. Primeiramente, ela foi proposta pelo geoquímico russo W.Vernadsky na década de 1920 e retomada, nos anos de 1970, com mais profundidade por J. Lovelock e entre nós por J. Lutzenberger, chamando-a de Gaia.
Com isso se quer significar que a Terra é um gigantesco superorganismo que se autoregula, fazendo com que todos os seres se interconectem e cooperem entre si. Nada está à parte, pois tudo é expressão da vida de Gaia, inclusive as sociedades humanas, seus projetos culturais e suas formas de produção e consumo. Ao gerar o ser humano, consciente e livre, a própria Gaia se pôs em risco. Ele é chamado a viver em harmonia com ela mas pode também o romper o laço de pertença. Ela é tolerante mas quando a ruptura se torna danosa para o todo, ela nos dá amargas lições. E podemos senti-las já agora.
Todos estão lamentando o baixo crescimento mundial, especialmente nos paises centrais. As razões aduzidas são múltiplas. Mas para uma visão da ecologia radical, tal fato resulta de uma reação da própria Terra face à excessiva exploração pelo sistema produtivista e consumista dos paises industrializados. Ele levou tão longe a agressão ao sistema-Terra a ponto de, como afirmam alguns cientistas, inauguramos uma nova era geológica: o antropoceno, o ser humano como uma força geológica destrutiva, acelerando a sexta extinção em massa que já há milênios está em curso.
Gaia está se defendendo, debilitando as condições do arraigado mito de todas as sociedades atuais, inclusive a do Brasi:do crescimento, o maior possível, com consumo ilimitado.
Já em 1972 o Clube de Roma se dava conta dos limites do crescimento, não mais suportável pela Terra. Ela precisa de um ano e meio para repor o que extraimos dela num ano. Portanto, o crescimento é hostil à vida e fere a resiliência da Mãe Terra. Mas não sabemos nem queremos interpretar os sinais que ela nos dá. Queremos crescer mais e mais e, consequentemente, consumir à tripa forra. O relatório “Perspectivas Econômicas Mundiais” do FMI, prevê para 2012 um crescimento mundial de 4,3%. Vale dizer, vamos tirar mais riquezas da Terra, desequilibrando-a como dá mostras pelo aquecimento global.
A “Avaliação Sistêmica do Milênio” realizada entre 2001 e 2005 pela ONU, ao constatar a degradação dos principais itens que sustentam a vida advertiu: ou mudamos de rota ou pomos em risco o futuro de nossa civilização.
A crise econômica-financeira de 2008 e retornada agora em 2011 refuta o mito do crescimento. Há uma cegueira generalizada que não poupa sequer os 17 Nobeis da economia, como se viu recentemente no seu encontro no lago Lindau no sul da Alemanha. À exceção de J. Stiglitz, todos eram concordes em sustentar que o marco teórico da atual economia não teve nenhuma responsabilidade pela crise atual (Página 12, B. Aires, 28/08/2011). Por isso, ingenuamente postularam seguir a mesma rota de crescimento, com correções, sem se dar conta de que estão sendo maus conselheiros.
Mas importa reconhecer um dilema de difícil solução: há regiões do planeta que precisam crescer para atender demandas de pobres, obviamente, cuidando da natureza e evitando a incorporação da cultura do consumismo; e outras regiões já super desenvolvidas precisam ser solidárias com as pobres, controlar seu crescimento, tomar apenas o que é natural e renovável, restaurar o que devastaram e devolver mais do que retiraram para que as futuras gerações também possam viver com dignidade, junto com a comunidade de vida.
A redução do crescimento representa uma reação sábia da própria Terra que nos passa este recado: “parem com a idéia tresloucada de um crescimento ilimitado, pois ele é como um câncer que vai corroer todas as fontes da vida; busquem o desenvolvimento humano, dos bens intangíveis que, este sim, pode crescer sem limites como o amor, o cuidado, a solidariedade, a compaixão, a criação artística e espiritual”.
Não incorro em erro na crença de que há ouvidos atentos para essa mensagem e que faremos a travessia ansiada.
Leonardo Boff é teólogo e escritor.
quinta-feira, 15 de setembro de 2011
ESCRITOS DE ‘ABDU’L-BAHÁ
"Deus não faz distinção alguma entre branco e preto. Se os corações são puros, ambos Lhe são aceitáveis. Deus não discrimina entre pessoas por causa de cor ou raça. Todos as cores Lhe são aceitáveis, sejam brancos pretos ou amarelos. Desde que todos foram criados à imagem de Deus devemos vir a compreender que todos incorporam possibilidades divinas." (DOS ESCRITOS DE ‘ABDU’L-BAHÁ - BAHA'I)
terça-feira, 13 de setembro de 2011
Miss Universo 2011 - Africana Ganha o Concurso Calando os Racistas
Para desespero e perplexidade dos neonazistas, a angolana Leila Lopes, conquistou público e júri e foi eleita Miss Universo 2011 no concurso realizado em São Paulo no último dia 12 de setembro. Leila recebeu a coroa e a faixa da mexicana Ximena Navarrete, a Miss Universo 2010.
Única negra a estar entre as finalistas - e quarta integrante do continente africano a vencer o concurso -, Leila falou sobre os ataques racistas que as candidatas do continente africano sofreram no Brasil, através de sites neonazistas: "Felizmente o racismo não me atinge. Acho que os racistas precisam procurar ajuda, não é normal em pleno século XXI ainda pensarem dessa forma. Devemos todos nos respeitar, independente da raça, do sexo e do meio social", disse.
O Diamante Negro, como é conhecida em seu país, prometeu utilizar a coroa e sua influência na luta contra a AIDS, que é o principal projeto de Angola. A preferida do público superou a ucraniana Olesia Stefano, segunda colocada e a brasileira Priscilla Machado em terceiro. Completaram o TOP 5 a Miss Filipinas Shamcey Supsup e a chinesa Luo Zilin. A posição pluriétnica das cinco primeiras finalistas mostram que houve uma mudança provavelmente definitiva no padrão eurocêntrico que sempre predominou esse tipo de concurso.
O povo brasileiro deu uma resposta á altura para os doentes e ensandecidos neonazistas, que apregoavam os atributos das candidatas europeias em detrimento das candidatas não-brancas que concorriam ao título. Espero que o próximo concurso explique para o mundo que a diferença de cor da pele e outras diferenças genéticas são apenas meras adaptações às mudanças climáticas que os primeiros grupos humanos que saíram da África há 50.000 anos.
Empenhados na busca por territórios menos agressivos para viverem, os primeiros grupos humanos da África partiram em diversas direções no planeta. Um alcançou a Austrália, o outro Ásia Central, que se dividiu em dois, uma para a Europa, e a outro cruzou o Estreito de Bering, chegando à América.
segunda-feira, 12 de setembro de 2011
Candidatas negras ao Miss Universo sofrem racismo em site nacionalista
Como alguém consegue achar uma preta bonita?", escreveu membro. Concurso realizado em SP vai eleger mais bela do mundo na segunda-feira dia 12/09.
Um site internacional que se define nacionalista branco e possui adeptos do ditador nazista Adolf Hitler voltou a fazer ataques racistas e preconceituosos a mulheres na internet. Agora, o alvo dessa comunidade, que usa a web para reunir grupos de intolerância, são as candidatas ao Miss Universo.
Neste ano, o concurso ocorre no Brasil. Oitenta e nove representantes de diferentes nacionalidades, ascendências e misturas raciais disputam o título de mais bela do mundo, em São Paulo.
No fórum de discussão "Miss Universo 2011" da comunidade brasileira do Stormfront.org, foram postadas fotos das concorrentes e links sobre elas com ofensas racistas às negras, afrodescendentes e mestiças. Também há insultos às europeias, colocando em xeque o "grau de pureza" racial das garotas, levando-se em conta a opção religiosa delas. Há outros questionamentos se elas são realmente brancas pelo fato de algumas não terem olhos azuis e cabelos loiros.
Em julho, a brasileira Silvia Novais, de 24 anos, eleita Miss Itália no Mundo 2011, já havia sido vítima de racismo dos mesmos ‘nacionalistas’ do site contrários à escolha dela pelo fato de a modelo ser negra. O G1 publicou reportagens sobre o caso. Ela havia vencido o concurso na Europa como a mais bela descendente de italianos. Seu bisavô materno nasceu em Florença. Num dos insultos, ela foi xingada em inglês de "negra nojenta". Procurada, a miss lamentou as ofensas, mas não registrou queixa na polícia contra o site.
Miss Universo 2011
Em meio aos mais recentes xingamentos em português na internet, oito das participantes do Miss Universo tiveram suas imagens reproduzidas no site.
“Essa é a "menos feia" de um país inteiro, como alguém consegue achar uma preta bonita?”, escreveu um dos membros do Stormfront (frente de tempestade, numa tradução livre do inglês para o português) sobre a miss Aruba, Gillain Berry, de 24 anos.
Em outro comentário, a miss Botsuana, Larona Motlatsi Kgabo, de 25, que é negra, é criticada de modo pejorativo por um integrante do site que diz morar em São Paulo. “Mas tenho que admitir que me surpreendi com a miss Botsuana. Tenho certeza que a minha empregada é mais bonita que ela. Dá um look ae:”.
Nos demais diálogos do fórum, os "nacionalistas brancos" afirmam que a vencedora do Miss Universo será uma negra pelo fato de o concurso ser realizado no Brasil, país onde a miscigenação é presente.
“(...) é certeza que uma negra ganha essa, provavelmente a Angola (tá mais para uma mulata). Por quê? Primeiro: Liberais. Segundo: jurados querendo fazer média com Africanos, e seus descendentes como Brasilóides”, comentou um dos ‘stormfronters’.
A representante de Angola é Leila Lopes, de 25 anos. Na opinião dos membros do site, além dela, outra negra da mesma idade, Bokang Montjiane, miss África do Sul, poderá ser escolhida pelos julgadores como a ganhadora do título de mulher mais linda do mundo numa decisão política.
“Vai ser engraçado se ganhar uma preta aleatória. Terça que vem posto de novo. Ratificando: Vai dar preta, certeza. Btw, eu ainda não tinha visto a miss americana. Uma pena, vai cair fora rapidinho. Mas coitada, não tem culpa, apenas nasceu na pior época para tentar ser miss”, comentou um membro sobre as chances de vitória da ruiva de olhos claros Alyssa Campanela 21, dos Estados Unidos.
“Para mim esse concurso Miss Universo não passa de mais uma maneira de divulgar o multiculturalismo sionista e as "belezas" da diversidade. Me assustam alguns países brancos europeus com representantes não brancas”, postou um dos integrantes do site, que atacou as candidatas européias por causa de supostas miscigenações e religião. “Alguns exemplos: Miss Dinamarca (filha de iraquianos e dinamarqueses, ja foi miss Iraque no mundo). Miss Rússia: (tambem muçulmana). Miss Alemanha, (nao fica claro se é ou não branca, mas alemã com certeza não é).”
Os membros do Stormfront, que usa como slogan ‘White Pride World Wide’ (algo como Orgulho Branco ao Redor do Mundo), não perdoaram nem o bronzeado da dinamarquesa de cabelos ruivos e olhos claros Sandra Amer, de 21 anos, numa das fotos de divulgação da candidata. “Sobre a miss Dinamarca, que vergonha! Com tantas loiras clarinhas lá arrumaram essa coisa, pele de laranja”, escreveu um membro que diz morar no Rio Grande do Sul.
A morena russa de olhos azuis Natalia Gantimuriva, de 20 anos, é criticada pelos "nacionalistas" por ter se convertido à religião muçulmana. “Se é muçulmana, ou foi convertida, ou a opção mais provável é que tenha ancestrais recentes não brancos, ou seja, não é branca, apenas tem aparência de uma” e “Em casos como a miss Rússia, se abandonasse a sua religião eu não teria problema em a aceitar como branca” são algumas dos comentários postados.
Em outros posts, os integrantes do Stormfront discutem sobre a propaganda que os organizadores do concurso fazem sobre o Miss Universo e o trabalho voluntário e social que as ganhadoras têm de realizar, comparando esse serviço a uma espécie de prostituição.
“Não faz diferença as miss representarem ou não a população local. Para ser modelo, atriz, capa de revista, é como uma obrigação moral se "prostituir" em todos os sentidos. As vencedoras dos concursos têm que fazer palestras promovendo o multiculturalismo, a "white guilty", campanhas contra a miséria no terceiro mundo, doações para África, a adoção à distância, etc. Toda a cartilha liberal de ativismo social. Depois estas mesmas miss que tiveram um início "humilde" de carreira virarão senhoras socialites ao estilo Paris Hilton, ficarão ainda mais sionistas, mesticistas...”, escreveu um membro.
Além da comparação pejorativa com a socialite norte-americana Paris Hilton, eles citam a modelo brasileira Gisele Bündchen. “Gisele Bundchen por mais ariana que pareça não tem nada que lembre a ética e a moral ariana.”
Um integrante que diz morar em Minas Gerais se revolta ao comentar que as misses estão tendo contato com a cultura brasileira durante o tempo de permanência delas no país. “E além de tudo o que ja foi discutido aqui, estão introduzindo a cultura brownsileira nas misses, o que é revoltante. Todos os dias elas estão naquelas escolas de samba.”
Investigação
O Stormfront já é conhecido da Polícia Civil de São Paulo. O site e seus membros são investigados há alguns anos pela Delegacia de Crimes Raciais e Delitos de Intolerância (Decradi), do Departamento de Homicídios e de Proteção à Pessoa (DHPP), por suspeita de ser uma comunidade neonazista que recruta brasileiros. O grupo foi criado na internet nos Estados Unidos no início dos anos 1990 e arregimentou muitos paulistas. Segundo a polícia, para difundir a manutenção e expansão da raça branca, seus integrantes combinam ataques a negros, judeus, homossexuais, nordestinos e imigrantes ilegais.
Apesar de informar na sua página que a comunidade não é neonazista, racista, homofóbica e intolerante, há citações e fotos de oficiais de Hitler, suásticas e símbolos nazistas.
Há um recado em inglês que informa os visitantes sobre o conteúdo que vão encontrar:
"Somos uma comunidade de nacionalistas brancos. Há milhares de organizações que promovem os interesses, valores e patrimônio de não brancos. Promovemos o nosso. Você está convidado a navegar nos nossos 7 milhões de postos, mas você deve se registrar antes de postar em qualquer fórum, exceto aqueles designados como aberta a convidados”.
O Stormfront informa ainda que sua "missão é fornecer informações não disponíveis nos meios de comunicação controlados e construir uma comunidade de ativistas Brancos, trabalhando para a sobrevivência de nosso povo".
Dentre as regras de postagem dos comentários no site estão: "Não use linguagem abusiva, vulgar ou desrespeitosa. Evite epítetos raciais. Não faça críticas pessoais a outros usuários que são cruéis, duras ou agressivas".
A assessoria da Band, que transmite o concurso, e a organização do Miss Universo disseram que não vão comentar o caso.
Policiais civis informaram que os responsáveis pelas mensagens no Stormfront, bem como o site, podem ser responsabilizados por injúria, que é ofender alguém por conta de sua raça, cor e religião. Para isso, é necessário que as vítimas prestem queixa numa delegacia.
Caso sejam identificados e considerados culpados, os donos dos comentários podem ser condenados a penas de reclusão de 1 a 3 anos. Como a punição é de menor potencial ofensivo, ela pode ser convertida em pagamentos de cestas básicas ou prestações de serviços comunitários. Do G1 SP
quinta-feira, 8 de setembro de 2011
Alunas de escola pública sofrem injúria e discriminação racial na XV Bienal do Livro – RJ
“Não vou dar senha porque não gosto de mulheres negras”, “Você é favelada e preta de cabelo duro”.
Isso aconteceu ontem, 05/09, na XV Bienal do Livro – RJ, no Riocentro, quando durante a visitação de alunos o Colégio Estadual Guilherme Briggs, de Niterói, no stand da Editora Abril/Veja – assinaturas, duas alunas se dirigiram ao atendente da Editora citada para pegarem a senha de acesso para autógrafo com artista e sofreram a prática de injúria e discriminação racial. Depois de ficarem na fila aguardando a vez, o funcionário além de se negar a fornecer a senha de autógrafo para as alunas, também afirmou, verbalmente, que não iria dar senhas porque não gostava de mulheres negras. Mesmo ofendida uma delas insistiu e ainda ouviu que não ia ganhar porque era favelada e de cabelo duro. A aluna citou que o que ele estava fazendo era “bulling”, “crime”. “Ele respondeu que podia ser o que for, e que não ia dar nada para ele”. Voltando com o grupo de colegas, chorando, a Diretora do Colégio ficou sabendo e, ainda no Riocentro, voltou ao stand, se dirigiu ao gerente da Editora denunciando o fato e o funcionário, e ouviu a seguinte frase: “Ele estava brincando”, “Não leve isso a sério, senão vai prejudicar a empresa”.
“Discriminação racial: toda distinção, exclusão, restrição ou preferência baseada em raça, cor, descendência ou origem nacional ou étnica que tenha por objeto anular ou restringir o reconhecimento, gozo ou exercício, em igualdade de condições, de direitos humanos e liberdades fundamentais nos campos político, econômico, social, cultural ou em qualquer outro campo da vida pública ou privada.” Art. 2º, inciso I do Estatuto da Igualdade Racial.
Vendo que não adiantava sua denúncia no local, a Diretora fez um Registro de Ocorrência, na 77ª Delegacia de Polícia, em Niterói, sob o nº 077-05231/2011-01 e encaminhou aos órgãos competentes do Estado (Cedine, Supir).
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sexta-feira, 26 de agosto de 2011
Tea Party: Um Perigo para a Democracia ou Também é Democracia?
O nome de "Tea Party" é uma referência ao Boston Tea Party de 1773 (Festa do Chá de Boston), ou o Manifesto do Chá de Boston, uma ação direta dos colonos americanos de Boston, contra o governo britânico e a Companhia das Índias Ocidentais, que detinha o monopólio do chá que entrava nas colônias. No porto de Boston, um grupo de colonos abordou os navios carregados de chá e atirou a carga às águas, em protesto contra o monopólio e o imposto sobre o chá, que consideravam abusivo .
Mesmo ainda faltando um ano para as eleições nos Estados Unidos, a religião tem se tornado um fator decisivo entre os candidatos republicanos. A congressista Michele Bachamann, evangélica luterana, tem combatido o matrimônio gay; o governador do Texas, Rick Perry, é contra a separação entre a Igreja e o Estado; o ex-governador de Massachusetts, Mit Romney, é mormón. Estes candidatos cortejam o movimento Tea Party, que duas semanas atrás quase levou os Estados Unidos ao precipício, optando em não pagar a dívida para não aumentar o teto de endividamento público. Além de ter como característica a xenofobia, o movimento possui como principal objetivo, colocar líderes religiosos no governo. O Tea Party aspira ou deseja a fé na política e que o governo seja Deus.
Estes candidatos até o momento apresentados nas primárias republicanas, sendo um deles ungido para enfrentar Obama, carecem de qualidades de liderança, o que é lamentável para os Estados Unidos. Existe algo novo e diferente na crise da atual democracia americana: A confusão entre a Igreja e o Estado.
Polêmica: Água Fluoretada - Herança Nazista?
Em setembro de 2003, e lá se vão oito anos, uma petição internacional assinada por mais de 300 cientistas, químicos, técnicos e ambientalistas de 37 países, pediu a revisão, esclarecimento e discussão sobre os benefícios e malefícios da adição à água encanada do flúor, íon utilizado como preventivo de cáries. Atendendo à petição, foram apresentados vários estudos comprovando os riscos para a saúde geral do corpo, especialmente dos ossos, devido à ingestão desse potente agente químico que quando ultrapassa apenas 1 ppm já causa problema até nos dentes.
De lá para cá, muitas pesquisas vêm atestando ligações entre ingestão de flúor e doenças da modernidade. Autistas, por exemplo, não devem beber água fluoretada. Embora não haja confirmação de associação direta entre o flúor e a disfunção, sabe-se que ele potencializa os sintomas do autismo. O problema da adição de uma droga, venenosa ou não, na água de todas as pessoas, é uma questão delicada. Até que ponto as autoridades têm o direito de institucionalizar um tratamento medicamentoso na água para todos os cidadãos de todas as idades? Sabendo-se da ligação entre tal produto e desencadeamento de patologias, como e por quais razões se mantêm a mesma diretriz?
A retirada, diante das evidências, bate na trave econômica e política. Subproduto da indústria do alumínio, o íon, que mata um corpo adulto com apenas 5 gramas, não pode ser simplesmente jogado na natureza. A confiança inicial de que em doses ínfimas espalhadas pelas águas e alimentos no mundo, só faria bem aos dentes, evitando cáries, fez com as políticas se consolidassem nesse gigantesco contrato comercial mundial, agora difícil de ser desfeito, especialmente em países em desenvolvimento que têm de um lado a população ignorante que aceita as decisões públicas e privadas sem questionamentos e de outro os concentradores de renda, que defendem o status quo a qualquer preço.
Alguns países, já a partir de 2003, outros antes, retiraram o flúor da água e passaram a adicioná-lo ao sal de cozinha, já que se consome menos sal do que água, o que reduziria o risco de ingestão excessiva do íon, cumulativo no corpo humano. Diante das evidências e para reparar a visão equivocada, baseada em pesquisas que só levavam em conta a prevenção de cáries, muitos países simplesmente não utilizam mais o uso sistêmico do flúor como preventivo de cáries; apostam na educação alimentar, higiene e no uso tópico, diretamente aplicado nos dentes. No Canadá, Áustria, Finlândia, Bélgica, Noruega, França e Cuba, alguns dos países que pararam de fluoretar suas águas, os índices de cáries continuaram caindo. Estudos sobre a ingestão do flúor, que a partir da década de 1970 também foi adicionado a alimentos, leites em pós e a alguns medicamentos, apontam malefícios graves e cumulativos para a saúde em geral. Os danos começam pela fluorose, que pode ser leve, causando manchas esbranquiçadas nos dentes ou grave, quando a dentição permanente fica com manchas marrons ou chega a ser perdida, esfacelando os dentes. Para que isso ocorra basta que crianças de zero a seis anos sejam expostas à ingestão diária do íon. O resultado visível só aparece nos dentes permanentes, já a ingestão de flúor na gravidez compromete a primeira dentição da criança.
Quando ingerido o flúor é rapidamente absorvido pela mucosa do estômago e do intestino delgado. Sabe-se que 50% dele é eliminado pelos rins e que a outra metade aloja-se junto ao cálcio dos tecidos conjuntivos. Dentes e ossos, ao longo do tempo, passam a ficar deformados, surgem doenças e rachaduras. A hipermineralização dos tecidos conectivos dos ossos, da pele e da parede das artérias é afetada, os tecidos perdem a flexibilidade, se tornam rígidos e quebradiços. Para que tudo isso ocorra, segundo estudo de 1977 da National Academy of Sciences, dos EUA, o corpo humano precisaria absorver durante 40 anos apenas 2mg de flúor por dia. Parece difícil ingerir tanto, mas a fluorose já é um fato, uma doença moderna comprovada. Diversos estudos químicos atestam que o flúor é tão tóxico como o chumbo e, como este, cumulativo. Quanto mais velhos mais aumentamos a concentração de flúor nos nossos ossos, o que traz maiores riscos de rachaduras e doenças como a osteoporose (veja o primeiro link). A versão natural do flúor, encontrada na natureza, inclusive em águas minerais, peixes, chás e vegetais tem absorção de 25% pelo corpo humano, mas a fluoretação artificial é quase que totalmente absorvida. A maior parte se deposita nas partes sólidas do organismo, os ossos, e parte pequena vai para os dentes. Acredita-se que o fluoreto natural tenha algum papel importante para a saúde humana, mas isso ainda não foi completamente comprovado.
No Brasil a adição de flúor à água começou em 1953 em Baixo Guandu, ES, virou lei federal (6.050/74) e a campanha da fluoretação das águas, abraçada pela odontologia em parceria com sucessivos governos desde a década de 1960, continua em alta e tem como meta atingir 100% da água brasileira encanada. Águas potáveis também recebem flúor e algumas águas minerais possuem mais flúor em sua composição do que é recomendado para evitar a fluorose, que é algo situado entre 0,5 ppm e 1ppm, dependendo da temperatura ambiente, já que no verão ou em locais mais quentes se consome mais água. Os odontologistas que ainda defendem a adição do flúor na água potável e encanada afirmam ser a fluorose, que atingiu adolescentes nas últimas gerações com manchas brancas, um problema menor diante das evidências de redução das cáries, comprovadas por várias teses, elaboradas nos anos 1960 e 1970. Segundo eles esse método é o mais eficaz para reduzir índices de cárie que variam entre 20% e 60%. Da década de 1960 para cá, além da fluoretação das águas brasileiras, a população teve acesso maior às escovas de dentes, que tornaram-se mais baratas e populares. Na Suécia, por exemplo, onde não há fluoretação das águas, a cárie foi erradicada por meio da educação da população.
A redução de cáries por acesso ao flúor ocorre em decorrência de uma regulação do ph bucal, que teria maior constância via corrente sangüínea a partir da ingestão dessa substância. Após escovarmos os dentes com creme dental fluoretado, mantemos o ph ideal por cerca de duas horas. Apesar da campanha pró-ingestão de flúor, nenhum dentista defende a água fluoretada sem a dobradinha boa higiene e boa alimentação. Não há ph administrado pelo flúor que regule os detritos retidos entre os dentes; esses detritos desregulam o ph local, tornando-o mais ácido, o que favorece o surgimento de cáries e outras doenças periodontais. O açúcar torna o ph do sangue muito ácido e ao lado dele o outro grande vilão é o carboidrato, daí os odontologistas condenarem o abuso de doces, biscoitos e pães entre as refeições, especialmente os feitos com farinhas refinadas.
Na água potável encanada são recomendados no máximo 0,6 ppm de flúor, o que causa em crianças menores de sete anos uma fluorose mínima ao nascerem os dentes permanentes. “Acima de 1,5 ppm de flúor na água bebida por crianças menores de sete anos a fluorose é mais agressiva e pode causar má aparência nos dentes permanentes, mas existe tratamento para essa fluorose nos consultórios dentários”, garante o professor Jaime Cury, da Unicamp, defensor da adição de flúor à água. Em Cocalzinho, cidade de Santa Catarina, o flúor contido numa água natural, (1000 ppm) causou sérios danos aos dentes das crianças da região, com perdas parciais e totais dos dentes permanentes. Profissionais de várias partes do Brasil interessaram-se pelo caso, que foi documentado no final da década de 1980. Em 2004 a água mineral Charrua, do RS, apresentava 4ppm de flúor, o que pode resultar em fluorose avançada. O flúor está presente nos cremes dentais desde 1989, inclusive nos infantis, sendo hoje difícil encontrar no mercado convencional um creme dental para uso diário sem o íon. Normalmente os cremes dentais recebem de 1000 ppm a 1800 ppm de flúor. Não há pesquisa que ateste que o flúor aplicado, sem ingestão, cause qualquer mal, mas segundo vários estudos em odontopediatria os problemas de fluorose verificados em todo o Brasil nos últimos anos estão relacionados ao uso de creme dental porque crianças pequenas, além de serem extremamente vulneráveis à ingestão do flúor, engolem acidentalmente ou voluntariamente o creme dental. Uma das razões da ingestão voluntária, em crianças maiores de 3 anos, se deve ao sabor doce dos géis dentais infantis. A fluorose aparente nos dentes de crianças e adolescentes é uma realidade no Brasil.
Diferenças de miligramas são fatais- O argumento que sustenta a adição de flúor à água potável encanada e às águas engarrafadas baseia-se na defesa do controle da cárie infantil, mas quando as águas brasileiras começaram a ser fluoretadas em massa, em 1974, os cremes dentais não eram fluoretados e as informações sobre os hábitos de higiene e de alimentação iniciavam nas capitais e cidades maiores. Naquela época o flúor ainda não era adicionado a medicamentos, chicletes, biscoitos e leites em pó para bebês, que quando somados ao flúor da água ultrapassam o nível recomendado para lactantes em até 80%. O leite humano possui cerca de 00,1ppm de flúor, uma quantidade já bastante inferior à dos leites em pó, mais isso depende, obviamente, da alimentação da mãe. Durante a década de 1980, quando a fama do flúor como preventivo de cáries era inquestionável, muitas mulheres grávidas tiveram prescrição para tomar comprimidos que incluíam o íon na composição. Hoje já não se receitam suplementos de flúor para gestantes, pois as que tomaram enfrentaram problemas de fluorose na primeira dentição de seus filhos. Foi um teste “científico” que não deu certo, mas não foi o primeiro.
O Flúor e o Nazismo
As primeiras pesquisas com ingestão de flúor em humanos foram feitas em campos de concentração nazistas com o intuito de acalmar os prisioneiros, que ingeriam o íon a partir da água com até 1500 ppm de flúor. O resultado gerava uma espécie de apatetamento, os prisioneiros cumpriam melhor suas tarefas sem questioná-las. Com o mesmo objetivo o flúor é adicionado a alguns medicamentos psiquiátricos hoje em dia. Mais de 60 tranquilizantes largamente utilizados contêm flúor, como Diazepan, Valium e Rohypnol, da Roche, ligada à antiga I.G.Farben, indústria química que atuou a serviço da Alemanha nazista. http://www.theforbiddenknowledge.com/hardtruth/fluoridation.htm
Essa ligação histórica desperta brigas ferrenhas entre os adeptos da adição do flúor à água e os que são contra, esses últimos acusados pelos primeiros de fazer terrorismo e estabelecer o caos social em nome da nova ordem mundial, que está aí a questionar as bases que sustentam a economia.
A Associação Brasileira de Odontologia recomenda a adição de flúor à água potável como método preventivo fundamental para o Brasil, país grande, de população pobre e desinformada sobre os hábitos de higiene e de alimentação. Segundo o professor Jaime Cury,que passou mais de 20 anos estudando a prevenção da cárie, o flúor adicionado à água tem uma importância social inquestionável. “Gostaria de ser o primeiro a anunciar que o flúor não precisa mais ser adicionado à água, mas o povo brasileiro, a maior parte da população, a que é pobre e desinformada, não escova os dentes corretamente, não pode cuidar da alimentação e é beneficiada pela adição de flúor na água.”
Para ele, “a fluorose leve que não causa mal-estar social, nem deveria ser considerada um problema ou doença porque as crianças com fluorose leve, manchinhas brancas, têm dentes mais fortes.”
A ciência odontológica vê a fluorose média ou grave como problema principal em conseqüência da adição de flúor à água, mas médicos, químicos e toxicologistas afirmam que a fluorose é apenas o começo de um problema espalhado por todos os ossos do corpo, sobrecarregando a glândula pineal e acarretando outras conseqüências na saúde devido a alteração do funcionamento bioquímico. Eles alertam que as doenças podem demorar anos para surgir, pois o flúor é cumulativo. Nunca houve uma denúncia formal ligando o flúor à indústria de alumínio; as pesquisas feitas por químicos e neurologistas focam exclusivamente os danos do íon à saúde humana. Polêmica à parte, algo não está sendo levado em conta: é praticamente impossível encontrar água que não tenha sofrido adição de flúor. Por uma convenção entre sucessivos governos, a ciência odontológica e a indústria de alumínio, o brasileiro perdeu o direito de beber água sem o aditivo.
Cláudia Rodrigues, jornalista, terapeuta reichiana, autora de Bebês de Mamães mais que Perfeitas, 2008. Centauro Editora. Blog: http://buenaleche-buenaleche.blogspot.com
Carta às Esquerdas
Boaventura de Sousa Santos
Não ponho em causa que haja um futuro para as esquerdas mas o seu futuro não vai ser uma continuação linear do seu passado. Definir o que têm em comum equivale a responder à pergunta: o que é a esquerda? A esquerda é um conjunto de posições políticas que partilham o ideal de que os humanos têm todos o mesmo valor, e são o valor mais alto. Esse ideal é posto em causa sempre que há relações sociais de poder desigual, isto é, de dominação. Neste caso, alguns indivíduos ou grupos satisfazem algumas das suas necessidades, transformando outros indivíduos ou grupos em meios para os seus fins. O capitalismo não é a única fonte de dominação mas é uma fonte importante.
Os diferentes entendimentos deste ideal levaram a diferentes clivagens. As principais resultaram de respostas opostas às seguintes perguntas. Poderá o capitalismo ser reformado de modo a melhorar a sorte dos dominados, ou tal só é possível para além do capitalismo? A luta social deve ser conduzida por uma classe (a classe operária) ou por diferentes classes ou grupos sociais? Deve ser conduzida dentro das instituições democráticas ou fora delas? O Estado é, ele próprio, uma relação de dominação, ou pode ser mobilizado para combater as relações de dominação?
As respostas opostas as estas perguntas estiveram na origem de violentas clivagens. Em nome da esquerda cometeram-se atrocidades contra a esquerda; mas, no seu conjunto, as esquerdas dominaram o século XX (apesar do nazismo, do fascismo e do colonialismo) e o mundo tornou-se mais livre e mais igual graças a elas. Este curto século de todas as esquerdas terminou com a queda do Muro de Berlim. Os últimos trinta anos foram, por um lado, uma gestão de ruínas e de inércias e, por outro, a emergência de novas lutas contra a dominação, com outros atores e linguagens que as esquerdas não puderam entender.
Entretanto, livre das esquerdas, o capitalismo voltou a mostrar a sua vocação anti-social. Voltou a ser urgente reconstruir as esquerdas para evitar a barbárie. Como recomeçar? Pela aceitação das seguintes ideias:
Primeiro, o mundo diversificou-se e a diversidade instalou-se no interior de cada país. A compreensão do mundo é muito mais ampla que a compreensão ocidental do mundo; não há internacionalismo sem interculturalismo.
Segundo, o capitalismo concebe a democracia como um instrumento de acumulação; se for preciso, ele a reduz à irrelevância e, se encontrar outro instrumento mais eficiente, dispensa-a (o caso da China). A defesa da democracia de alta intensidade é a grande bandeira das esquerdas.
Terceiro, o capitalismo é amoral e não entende o conceito de dignidade humana; a defesa desta é uma luta contra o capitalismo e nunca com o capitalismo (no capitalismo, mesmo as esmolas só existem como relações públicas).
Quarto, a experiência do mundo mostra que há imensas realidades não capitalistas, guiadas pela reciprocidade e pelo cooperativismo, à espera de serem valorizadas como o futuro dentro do presente.
Quinto, o século passado revelou que a relação dos humanos com a natureza é uma relação de dominação contra a qual há que lutar; o crescimento económico não é infinito.
Sexto, a propriedade privada só é um bem social se for uma entre várias formas de propriedade e se todas forem protegidas; há bens comuns da humanidade (como a água e o ar).
Sétimo, o curto século das esquerdas foi suficiente para criar um espírito igualitário entre os humanos que sobressai em todos os inquéritos; este é um patrimônio das esquerdas que estas têm vindo a dilapidar.
Oitavo, o capitalismo precisa de outras formas de dominação para florescer, do racismo ao sexismo e à guerra e todas devem ser combatidas.
Nono, o Estado é um animal estranho, meio anjo meio monstro, mas, sem ele, muitos outros monstros andariam à solta, insaciáveis à cata de anjos indefesos. Melhor Estado, sempre; menos Estado, nunca.
Com estas ideias, vão continuar a serem várias as esquerdas, mas já não é provável que se matem umas às outras e é possível que se unam para travar a barbárie que se aproxima.
Boaventura de Sousa Santos é sociólogo e professor catedrático da Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra (Portugal).
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