Amauri Queiroz

segunda-feira, 6 de junho de 2011

Mundo Desigual

sexta-feira, 3 de junho de 2011

INCRÍVEL!!!!!!! A SENADORA KÁTIA ABREU DO TOCANTINS INAUGUROU A MORTE "POR OPORTUNISMO" NO BRASIL...SÓ FALTAVA ISSO PARA O CIRCO FICAR COMPLETO!!!!

“Não quero flores no meu enterro,
pois sei que vão arrancá-las da floresta”.

(Chico Mendes)

O trabalhador rural Marcos Gomes da Silva, 33 anos, foi morto a tiros numa emboscada em Eldorado do Carajás, mesma cidade onde ocorreu, em 1996, o massacre de 19 sem-terra. O agricultor levou um tiro no abdômen no acampamento Nova Sapucaia, onde morava com a família. Mais tarde, enquanto recebia socorro, Marcos foi atacado novamente por seus algozes, tendo sido degolado e a orelha arrancada.
Eldorado dos Carajás fica no sudeste do Pará, na mesma região de Nova Ipixuna, onde o casal de extrativistas José Cláudio Ribeiro da Silva e Maria do Espírito Santo foi morto em 24 de maio. Zé Castanha, como Marcos Silva, também teve sua orelha arrancada. Nas últimas semanas, quatro ativistas que atuam na Amazônia foram mortos e o governo reconheceu não ter instrumentos e condições para garantir a segurança de todos os líderes que correm riscos.
Em qual Brasil vivemos? O Brasil que vai construir o trem bala ou o Brasil que assassina os ecologistas que defendem a preservação da floresta amazônica. A situação se parece com o romance gótico da escritora londrina Mary Shelley, que narra a saga de Victor Frankenstein, um jovem aristocrata suíço, apaixonado pela alquimia e ciências naturais da época. Infatigável, busca o milagre da criação. Victor consegue construir uma criatura humana grotesca, que comete os crimes mais terríveis, levado pela amargura da rejeição humana.
O Brasil tem alguns contornos da criatura imaginada por Mary Shelley. Formado por grotescas e sóbrias assimetrias, que trafegam de um lado entre a escravidão de indígenas e africanos, analfabetismo, falta de saneamento básico, saúde pública caótica, homofobia, alcoolismo, narcotráfico, machismo e de outro lado por uma elite aristocrática somente comparada financeiramente aos marajás indianos e à dinastia dos Romanov da casa imperial russa. O Brasil possui a segunda maior frota de jatos executivos e a maior frota de helicópteros do mundo.
O assassinato de trabalhadores rurais e militantes ambientais em pleno século XXI é um ato hediondo que viola todas as premissas dos direitos humanos. Uma nação democrática não pode permitir através de seus poderes constituídos, que uma minoria com idéias medievais e colonialistas, impeça a instauração e a consolidação da cidadania e da justiça social em nossa nação. É inadmissível que a senadora Kátia Abreu (presidente da Confederação Nacional da Agricultura - CNA), eleita pelo voto direto do povo, se volte contra ele de maneira arrogante e enfática, como uma Maria Antonieta dos trópicos.
A Comissão Pastoral da Terra - CPT aponta que no estado do Pará, desde 1996, foram cometidos mais de 200 assassinatos de lideranças rurais ocasionadas por conflito de terras. Que vergonha!!!!


quinta-feira, 2 de junho de 2011

Um par de chinelos feito de hashi (típicos palitinhos utilizados na culinária japonesa) e materiais facilmente encontrados em casa ganhou destaque na Feira Internacional de Móveis Contemporâneos (ICFF, na sigla em inglês), famosa exposição de design realizada nesta semana, em Nova York, EUA. Segundo o estudante, a ideia veio depois de um almoço com um colega de faculdade em um restaurante japonês. Ele reparou que seu amigo utilizava chinelos para ir para a aula. Ao ver hashis descartados no lixo do restaurante, fez a associação entre o que observava e resolveu criar um chinelo com o material reciclado.
O chop-flops, como é chamado o chinelo ecologicamente correto, foi criado pelo estudante de desenho industrial Joseph Palmer. Em seu invento, ele reciclou hashis, tiras de couro de uma bolsa velha, cortiça e fio-dental.
A matéria-prima básica dos chop-flops são hashis que Palmer resgata de restaurantes de comida japonesa. Para fazer a sola do chinelo, ele utilizou a cortiça de um quadro de avisos que estava acumulando poeira em seu quarto. Na produção das sandálias, o artesão amarra os palitos com fio-dental, fazendo a forma da palmilha. A técnica utilizada é semelhante à empregada em cortinas de bambu e persianas. Para fazer as alças, Palmer usa tiras de couro de uma bolsa velha.

terça-feira, 31 de maio de 2011

Míriam Leitão, Christine Lagarde e o FMI


O FMI virou não se sabe muito bem o que depois do terremoto de 2008 e seus after-shocks. Tão duro e exigente com os emergentes, tão condescendente com os países que o controlam! É uma contradição insanável. Ontem, Christine Lagarde disse que ser europeia não é benefício nem falta. É benefício sim. É o que a mantém na frente da disputa.
Lagarde tem vários méritos, mas sua certidão de nascimento é o fator determinante de estar na frente da disputa pelo cargo mais importante do Fundo Monetário Internacional (FMI). Fosse tudo o que é, boa gerente, boa ministra das Finanças, advogada reconhecida, boa comunicadora, boa negociadora, com inglês perfeito, mas tivesse nascido em qualquer país não europeu, não seria a candidata do G-8. Portanto, não é uma falha ser europeia, mas é um benefício.
Lagarde será a nova diretora-gerente do FMI porque os ricos se uniram em torno dela e porque os emergentes não se uniram em torno de ninguém. A China está de olho em um lugar para si, o segundo posto. Os candidatos avulsos que aparecem são mais lembranças de analistas que qualquer movimento de articulação. Só o México lançou Agustín Carsten, presidente do Banco Central do país.
A imprensa inglesa tem criticado mais que os países emergentes esse monopólio do cargo mais importante do Fundo pela Europa. Segundo a “Economist”, o monopólio é há muito tempo uma anomalia.“É tempo de acabar com isso.” Ainda de acordo com a revista, “dadas as circunstâncias da saída do Sr. Strauss-Kahn, o fato de ela ser mulher é um bônus.”
O Brasil não tem intenção de lançar candidatura para marcar posição, mas gostaria que tivesse sido diferente a substituição de Strauss-Kahn. Inclusive quando o francês esteve no Brasil pedindo voto, o país tinha pedido que o critério de ser sempre um europeu a dirigir o Fundo fosse quebrado. Ele prometeu. Mas sua saída intempestiva e traumática invalidou o combinado.
Mais do que um critério ultrapassado, o que a “Economist” diz é que é inapropriado que seja um europeu porque é lá que ocorre a principal crise financeira do mundo hoje. “O Fundo teria que ser um árbitro imparcial da política econômica. É a única organização que pode forçar a repensar a estratégia falha para a solução dos problemas da Grécia, Portugal e Irlanda.” Segundo a revista, as pretensões presidenciais do ex-diretor-gerente Dominique Strauss-Kahn o levou a ser muito suave nas exigências à região. Diz ainda que Lagarde fez parte desse movimento de “defender o indefensável.”
O mais influente colunista inglês, Martin Wolf, do “Financial Times”, também não acha que ela é a melhor pessoa. Argumenta que apesar de seu bom currículo, seu forte é assuntos jurídicos e que em economia seu conhecimento é limitado, o que a fará depender mais dos seus assessores. Portanto, se ela assumir será fundamental saber quem vai substituir o vice-diretor-gerente, John Lipsky.
Mas ela será a nova diretora-gerente porque como ela mesma disse: manda quem paga. O Fundo é uma soma de contribuição dos seus sócios, vota mais quem depositou mais. A Europa tem 32% dos votos. Tem uma representação acima do seu tamanho no PIB mundial, que está caindo de 25% em 2000 para 18% em 2015; os Estados Unidos têm 16,7% dos votos. Juntos, eles têm quase metade dos votos. Para os Estados Unidos é conveniente o acordo feito com a Europa em que é seu o controle do Banco Mundial. Então fica tudo como dantes apesar das profundas alterações na distribuição do poder global. Segundo Wolf, é compreensível que para a Europa seja tão vital controlar o FMI neste momento: 79,5% dos créditos do Fundo foram concedidos para países europeus.
Para a “Economist”, é exatamente essa concentração de recursos para a Europa que deveria impedir que o FMI continuasse sendo controlado pela região. A revista compara: seria como entregar para a Argentina o controle do Fundo nos anos 1980, ou para a Tailândia, em 1997.
Argumentos bons, mas os próprios articulistas sabem que nada disso será levado em conta. O momento poderia ser bem mais interessante se houvesse um candidato só dos países emergentes, mas os nomes que surgem são mais lembranças dos analistas do que candidaturas do grupo. Cartens, do México, foi lançado por seu governo. Os outros citados pela “Economist” aparecem pelas qualidades que têm, como Tharman Shanmugaratnam, de Cingapura, ministro das Finanças e chefe do conselho do Fundo; Mark Carney, presidente do Banco do Canadá; e Armínio Fraga, ex-presidente do Banco Central brasileiro e que integrou o grupo de reforma do FMI.
A Europa não está toda mal. Pelo contrário, os países fortes estão se recuperando. O problema é a exposição do Banco Central Europeu às dívidas dos países mais encrencados da região. Foi por isso que ontem a Alemanha decidiu abandonar as exigências que fazia para dar novo empréstimo à Grécia.

Austríaco Banido do Tênis por Racismo

As polêmicas de Daniel Koellerer no mundo do tênis parecem ter chegado ao fim. Aos 27 anos, o atual número 385 do ranking foi considerado culpado em três acusações, incluindo “fraude ou tentativa de fraude sobre o resultado de um evento”. O austríaco, que também foi condenado a pagar uma multa de 100 mil dólares, ainda pode recorrer da decisão.- O afastamento vitalício deve ser imediatamente aplicado, o que significa que o senhor Koellerer não está habilitado a participar de nenhum torneio ou competição organizada ou sancionada pelos organizadores do tênis profissional – diz a sentença. Em junho de 2010, foi acusado de racismo pelos brasileiros Ricardo Hocevar e Júlio Silva. No Challenger de Reggio Emilia, na Itália, o rival disse a Silva: "Volta para a floresta, macaco!". Sem que a arbitragem tivesse tomado providências, o paulista se dirigiu diretamente á polícia local ao término do confronto para prestar queixa.





quinta-feira, 26 de maio de 2011

Direitos Humanos

São normas, princípios e valores referentes ao respeito à vida e à dignidade. A sua maior referência é a Declaração Universal dos Direitos Humanos, promulgada pela Assembléia Geral das Nações Unidas em 10 de dezembro de 1948, pois dela derivam Declarações, Pactos, Tratados e Convenções Internacionais de Direitos Humanos que delineiam e materializam mecanismos formais de proteção.
Em âmbito nacional, a Constituição Federal de 1998, no artigo 1.º, compromete-se com a prevalência dos Direitos Humanos nas relações internacionais e, no artigo 5.º, estão definidos os direitos e as garantias fundamentais.
Atualmente, após cinco décadas de dedicação quase exclusiva aos direitos humanos civis e políticos, inicia-se necessariamente, um processo de priorização dos direitos humanos nas suas dimensões econômica, social e cultural, contudo, reconhecendo a primazia dos aspectos de indivisibilidade, interdependência, inter-relação, internacionalidade e universalidade dos direitos humanos.
O fortalecimento de cada um dos direitos consolida os demais. Assim, temos os direitos humanos como o conjunto dos direitos civis, políticos, econômicos, sociais e culturais.

*Direitos Econômicos:: Constituem-se o direito a um padrão de vida mínimo, o direito ao trabalho e aos direitos trabalhistas, o direito á alimentação, os direitos do consumidor e o direito ao meio ambiente saudável.
*Direitos Sociais: São os direitos á educação, ao lazer, ao transporte, á habitação, á seguridade social, à saúde física e mental e à segurança.
*Direitos Culturais: São os direitos das minorias étnicas e raciais, de gênero, de orientação sexual, etc. e o direito de beneficiar-se do progresso científico da humanidade.
*Direitos Civis: Compreende o direito á vida, o direito de ir e vir, o direito á livre associação e reunião, o direito à propriedade, à inviolabilidade da vida privada, à liberdade de opinião, pensamento e religião, à igualdade perante a lei.
*Direitos Políticos: Dizem respeito à participação dos cidadãos no governo da sociedade, enfim, à participação no poder. Neles, estão inscritos o direito à organização de partidos, de votar e ser votado, de fazer manifestações políticas.

AMAZÔNIA SACRIFICA MAIS UM MÁRTIR

Mais uma vez a floresta amazônica é manchada com sangue de seus defensores. Agora foi a vez de José Cláudio Ribeiro da Silva, conhecido como Zé Castanha, e sua esposa, Maria do Espírito Santo. Foram covardemente assassinados na terça-feira, 24/05 no assentamento Praia Alta da Piranheira. O casal que vivia da extração de castanhas ficou conhecido pelas denúncias contra madeireiras e carvoarias que depredavam o ecossistema da região.
Foi mais um crime da morte anunciada, pois, em recente evento gravado em vídeo, Zé Castanha fez um último alerta sobre as ameaças que vinha recebendo. Lembrou os destinos de Chico Mendes, Padre Josimo e Irmã Dorothy, entre tantos outros mártires, prevendo que sua estória poderia ser a mesma.
Que o extermínio de defensores da floresta tornou-se comum no Brasil, não há dúvida, porém, o que mais nos assusta foi a atitude da bancada ruralista na Câmara dos Deputados que lá estava para a votação do novo Código Florestal. Ao ouvir a notícia do crime pelo Deputado Sarney Filho, ruralistas nas galerias e deputados do agro-negócio no plenário, emitiram uma estrondosa vaia ao casal recém morto.
Fico estarrecido e indignado com a atitude desses parlamentares que são pagos com dinheiro público para defender a sociedade. A execução brutal foi planejada nos mínimos detalhes: os assassinos danificaram uma ponte onde o casal teria que passar e armaram a emboscada. Zé Cláudio desceu para verificar os estragos e ali mesmo foi fuzilado. Sua mulher foi executada dentro do carro, os dois não tiveram a mínima chance de se defenderem. Uma das orelhas de Zé Cláudio foi arrancada e levada como prova de que o “trabalho” havia sido executado. O bandeirante Domingos Jorge Velho cortou e salgou 13 mil pares de orelhas como prova da destruição do Quilombo dos Palmares. Parece que a prática ainda vigente nas regiões onde o Brasil ainda vive no sistema feudal,como é o caso da floresta amazônica.
Os dois viviam em Nova Ipixuna há 24 anos, em um terreno de 20 hectares no Projeto de Assentamento Agroextrativista (Paex) Praialta- Piranheira, às margens do lago de Tucuruí. Extraíam óleo de andiroba e castanha. Em palestra em novembro, no evento TEDx Amazônia, Zé Claudio denunciava o desmate. "É um desastre para quem vive do extrativismo como eu, que sou castanheiro desde os 7 anos da idade, vivo da floresta e protejo ela de todo jeito. Por isso, vivo com a bala na cabeça, a qualquer hora". Gilberto Carvalho, Secretário-Geral da Presidência relatou o ocorrido à presidente Dilma Rousseff e ela determinou ao ministro da Justiça José Eduardo Cardozo que a Polícia Federal apure o assassinato dos sindicalistas.
O Evangelho de Lucas 19,40 diz: "não podemos nos calar diante desta barbárie, pois se nos calarmos, as florestas falarão".