Amauri Queiroz

quarta-feira, 18 de maio de 2011


Andrea Horta

Quando fazia teatro em São Paulo, Andréia Horta buscava um jeito de pagar as contas. Juntou os textos que estavam guardados na gaveta e, numa edição independente, lançou um livro de poesias, "Humana Flor". O tempo de dureza passou. Andréia estrelou a série "Alice", na HBO, fez parte do elenco de "A cura", na Globo, e agora brilha na novela das seis, "Cordel Encatado". Mas a poesia ficou para sempre. Andréia faz uma poesia feminina. Não por acaso seu livro tem epígrafe de Clarice Lispector e um texto dedicado a Ana Cristina Cesar. Veja aqui embaixo um exemplo. Não tem título, como todas as poesias da atriz. É apenas a número 4.

Número 4

Quando faço o prato do meu homem

Encho de recheio pra ele gostar até o fim.

Quando ele vai chegar

Coloco grampo no cabelo

Ponho fronha branca pra ele dormir em paz

Passo bem o bife e a camisa dele

Arrumo as gavetas

Faço ele gozar

Depois ele ronca bem baixinho no meu ouvido

Quando ele me toca meu rio corre

E eu sou tanto que quase desapareço

e ele é tanto que quase não existe

É um homem livre

E eu sei disso.

quarta-feira, 6 de abril de 2011

A Felicidade não Mora ao Lado

Recebo um e-mail de uma leitora que diz se chamar Pamela. Ela conta que já passou dos quarenta, que tem três filhos, um menino e duas meninas e um namorado ocasional, que é casado e tem problemas de alcoolismo. Pamela trabalha em uma empresa sólida e recebe um salário condizente com sua formação acadêmica e profissional. Sua mensagem é um tanto enigmática, na medida em que não traça uma linha do tempo entre o seu casamento e agora já separada há pelo menos 10 anos. Surpreende-me com a revelação de que não é mais feliz, que sua vida se resume em trabalhar e retornar ao lar. Diz que não sai de casa nunca. Que não gosta de música e tampouco sair para jantar, dançar, viajar e coisas desse tipo. Conta que se casou com o homem que gostava e que sua vida era plena em todos os aspectos: material, profissional e afetiva. Diz que o marido a procurava com uma intensidade avassaladora durante todo o tempo em que estavam juntos. Um dia, o marido foi transferido para uma cidade próxima e sua vida foi tomada por um imenso vazio. Inicialmente viam-se nos finais de semana e após algum tempo os encontros passaram a ser quinzenais e logo após mensais. Vieram as crianças e a vida rotineira de mãe e dona-de-casa longe do marido. O companheiro, continuava sua vida dupla, agora literalmente, pois, tinha ficado noivo de uma jovem de família tradicional, na cidade vizinha, estando até com casamento marcado. Soube da estripulia do marido através de terceiros. Arrasada, presa aos três filhos e à solidão conjugal, mergulhou em profunda depressão. A separação foi inevitável. Anos se passaram e ela, sem nunca mais ter se entregue a outro homem, aceita o marido de volta, após o fracassado casamento com a ninfeta rural e o fim do trabalho longe de casa. Jamais tocaram no assunto e a vida seguiu em frente, casa, marido, filhos e trabalho. O raio caiu duas vezes no mesmo lugar. O marido foi transferido novamente para uma pequena cidade próxima, e como da outra vez, ele partiu proferindo juras de amor. Medos e sobressaltos passaram a rondar o cotidiano de Pamela. O braseiro que tomava conta de sua cama em infindáveis madrugadas havia se transformado em uma planície de gelo. O macho que a procurava como que se quisesse seviciá-la diuturnamente, dormia placidamente ao seu lado, como um doce bebê. Como da outra vez, as visitas nos finais de semana passaram a ser mais esparsas e, como da outra vez, ele se apaixonou novamente. Só que agora tinha sido por um homem. Cidade pequena, o escândalo tomou conta das conversas nas pracinhas, botecos e salões de barbeiro. Ela arrasada, transtornada, humilhada, não conseguia entender como ele teve a coragem de trazer o amante para a própria cidade e com ele passar a viver uma vida dita conjugal. O que poderia ser mais cruel para uma mulher do que ser trocada por um homem, e pelo próprio marido!!! Pamela mergulhou novamente em seu mundo difuso, de nada, onde permanece até hoje... Casa, trabalho, filhos. Diz que talvez nunca se recupere de uma sina tão cruel. Foi criada para casar, ter filhos, cuidar do marido. Seu sonho era juntar a família aos domingos, depois da missa, para comerem macarrão e frango com quiabo. Não entende por que herdou um destino tão cruel. Passaram-se 10 anos e o ex-marido continua vivendo com seu parceiro, na mesma cidade, sem dar a mínima importância aos filhos. Pamela segue seu destino, trabalhando, namorando um homem casado, alcoólatra e violento. Cuida da casa e dos filhos, alguns já apresentando problemas de conduta. Não gosta de viajar, de sair para dançar, passear, vida social, enfim, diz que nunca mais será feliz.

Obama no Brasil

Não há dúvida que a eleição de Barack Obama foi um bálsamo e uma esperança para a distensão da política externa estadunidense. Porém, o que pudemos comprovar até o momento, foram passos tímidos em relação a temas cruciais que vão da agenda ambiental aos direitos humanos que têm como principal libelo acusatório a manutenção dos presos em Guantánamo; o irracional bloqueio a Cuba; a guerra do Iraque baseada em provas inexistentes; o massacre de civis no Afeganistão e o absurdo silêncio quase sexagenário da invasão chinesa ao Tibete. Falando em Direitos Humanos, vale a pena lembrar que os EUA ainda executam prisioneiros no chamado ‘corredor da morte’ com injeções letais e na cadeira elétrica. Na Líbia, um dos maiores produtores de petróleo do mundo, o interesse é similar ao do Iraque e a queda da dinastia Kadafhi é questão de tempo. No levante popular do Egito, por onde passa grande parte da economia árabe, inclusive o petróleo, através do Canal de Suez, os EUA só assumiram posição pró-rebelião popular ao saber do quadro irreversível da queda de Hosni Mubarak. Nossos irmãos do norte também continuam em débito com a humanidade ao negarem enfaticamente a assinatura do Protocolo de Kioto, que prevê a redução da emissão de gases do efeito estufa em, no mínimo, 5,2% no período entre 2008 e 2012, triste herança da Era Bush. Em relação à viagem pela América do Sul, sabemos que essa parte do continente nunca foi prioridade para a política externa dos EUA. Os novos cenários descortinados no Brasil, que têm a China como seu principal parceiro econômico, acenam com a licitação de caças para a FAB, energia nova através da exploração do pré-sal e investimentos em infraestrutura com a preparação da Copa de 2014 e Olimpíadas 2016. No complexo mosaico das relações econômicas bilaterais, o Brasil perde longe, com um déficit na balança comercial com os EUA da ordem de US$ 8 bilhões, o maior déficit comercial brasileiro. Por um outro lado, proporciona o maior superávit comercial aos Estados Unidos em relação a todos os países do mundo O que podemos esperar da visita de Obama? No campo das contendas comerciais Obama dificilmente reverterá no congresso estadunidense os subsídios agrícolas que de forma deletéria impedem a alavancagem do agribusiness nos países em desenvolvimento, principalmente os do etanol, que tanto interessa ao Brasil. Existem impeditivos reais como as barreiras tarifárias, não-tarifárias, quotas, proibições, restrições voluntárias de exportações, barreiras técnicas (relacionadas com regras de licenciamento, embalagens, volumes, ingredientes, rotulagem). Mecanismos de defesa comercial como o antidumping, direitos compensatórios e salvaguardas que são regras usuais do comércio internacional e podem afetar o acesso aos mercados. São cerca de 10 mil posições tarifárias e 144 países envolvidos na Organização Mundial de Comércio. Pendências históricas como a do algodão, medicamentos, alimentos e indústria aeronáutica, permeiam uma relação conflituosa entre os dois países. Nada que se consiga flexibilizar de um momento para o outro. Talvez a pretensão obsessiva do Itamaraty em ascender ao Conselho de Segurança da ONU seja um atrativo secundário da visita. Algo como os espelhinhos que os portugueses ofereciam aos indígenas ao aqui desembarcarem. Artifício que infla os brios nacionais e eleva nossa auto-estima em relação ao tabuleiro estratégico global. Nos Alagados, Vigário Geral ou Jardim Irene, ninguém entende para que serve o significado do assento na ONU, se não há saúde, emprego e educação de qualidade para o povo da periferia. Noves fora, e o desejo dos EUA em 'retirar' a Presidente Dilma do campo de ideologização de Lula na política externa, não se consegue visualizar um objetivo prático em visita tão pomposa e cercada de salamaleques. Aspas para a simpática visita à Cidade de Deus, onde 62% dos moradores são negros e para uma cinematográfica ida ao Cristo Redentor. Ademais, nada mais. Fica como exemplo, para a elite nacional que a origem e a cor da pele não são condicionantes para se ascender às mega estruturas de poder e que a democracia e a justiça social, podem estar em melhores mãos, quando se constroem oportunidades iguais para os grupos étnico-raciais que compõem a diversidade da espécie humana. Na verdade, a grande comemoração no Rio foi a transferência do discurso do ilustre visitante, que seria em praça pública, para um exclusivíssimo e disputado convescote no Teatro Municipal. Com a Cinelândia livre do fechamento sintomático por parte da neurótica segurança de Obama, os cariocas puderam tomar seus chopes sossegados no Bar Amarelinho, tradicional espaço de encontros etílico-político-poéticos, que reina impávido naquele pedaço do Rio de Janeiro.

quinta-feira, 11 de novembro de 2010

Réia, Cronos, Zeus e Latona



Existe uma mulher com olhar iluminado
Seus olhos brilham como as estrelas
É a senhora dos mistérios
Deusa da alquimia

Por onde passa deixa um rastro de luz e beleza
Encantando-nos, pobres mortais
Como um prelúdio de Frédéric Chopin

Sua imensa ternura e poder
Deixa-nos extasiados
Sonhando com o paraíso
Que é adormecer em seus braços

Latona, mãe de Apolo
Mulher de Zeus
Réia mãe dos Deuses
Esperamos no colo de Cronos
Rodeado por elementares
Pela poção mágica do amor
(Amaury Queiroz)

terça-feira, 9 de novembro de 2010

Bibi Aisha Sobreviveu ao Talibã
















Quando o rosto da jovem afegã Bibi Aisha (“bibi” significa algo como “senhora” em urdu), de 18 anos, estampou a capa da edição da revista americana Time, sua beleza ficou em segundo plano, ofuscada pela chocante ausência de seu nariz, extirpado a faca pelo seu marido. Na semana passada, Aisha apareceu em público pela primeira vez usando uma prótese e pudemos, finalmente, prestar atenção ao seu sorriso. Esther Hyneman, da ONG Mulheres pelas Mulheres Afegãs, que esteve com Aisha na Califórnia, na semana passada, diz que ela está feliz com o novo visual, embora ainda não tenha conseguido deixar para trás o trauma da violência que sofreu. “Vai levar tempo para que ela se recupere, mas somos muito otimistas porque ela é uma sobrevivente. Muitas pessoas teriam morrido naquela situação”, diz Esther. Nessa entrevista, Esther conta que comprou um mapa múndi para mostrar a Aisha onde fica seu país e onde ela está agora, os Estados Unidos, e avalia a situação das mulheres no Afeganistão, onde ela passa seis meses por ano fazendo trabalho humanitário.

Lendo as muitas reportagens escritas sobre a história de Bibi Aisha, notei que há várias informações desencontradas e inconsistentes. Sua idade, quem a socorreu depois de agredida pelo marido e até qual foi a participação do Talibã na agressão. A que se pode atribuir essas diferenças?


Esther Hyneman Não li todas as reportagens que saíram sobre ela, mas a maioria das entrevistas deve ter sido feita por meio de tradutor, o que facilita mal entendidos, e muitas devem reproduzir de maneira errônea o que foi publicado por outros veículos. Os fatos básicos sobre Aisha são muito simples: ela foi vítima de um costume tribal chamado “baad”, em que uma propriedade é dada pela família que cometeu uma ofensa ou um crime a outra família. A propriedade é uma forma de compensação pelo crime ou ofensa. Pode ser dinheiro, terras ou até mesmo, e muito frequentemente, jovens meninas. Aisha foi dada como compensação pelo assassinato que seu tio cometeu contra um membro da família.

Ela tinha 10 anos quando isso aconteceu?

Esther Hyneman - Não sabemos exatamente que idade ela tinha, mas era bem jovem. Ela foi maltratada – como essas garotas sempre o são – e escravizada. Depois de anos de abuso em que apanhava com frequência, ela fugiu. Não temos certeza, mas talvez um vizinho a tenha ajudado. Ela conseguiu chegar a Kandahar e foi presa pela polícia porque mulheres não podem andar sozinhas pela rua – é uma regra em todo o país, mas especialmente em áreas como Kandahar, controlada pelo Taleban. De alguma maneira, seu pai descobriu que ela estava presa em Kandahar e persuadiu o comandante a libertá-la. Então, ele a levou de volta à mesma família a que tinha sido dada, à família de seu marido. Ele deveria saber que estava levando sua filha para a tortura e a morte, uma vez que a família de seu marido era taleban.

Esther Hyneman - Li um artigo que questionava se o marido dela era taleban. Essa informação é confirmada?


Esther Hyneman - Sim, é confirmada. Por favor, publique-a. Estou na Califórnia, vim até aqui para ver Bibi e ontem ela ficou transtornada quando alguém mencionou o Taleban. Ela começou a gritar com toda força sobre o que eles haviam feito com ela. Não há nenhuma dúvida quanto a isso. O artigo da revista The Nation que questiona isso está mentindo. Aisha foi torturada por uma família taleban. Ela foi levada para uma área isolada, imobilizada por pessoas da própria família ou amigos ou vizinhos do marido, e seu marido ou o irmão dele, não sabemos ao certo, cortaram fora seu nariz e suas orelhas. Ela foi então abandonada para morrer sangrando.

Em uma entrevista, a senhora disse que a punição de Aisha provavelmente tem origem em um dizer pashtun (uma das tribos que povoam o Afeganistão) que diz que o homem cuja mulher foge perdeu o nariz.É possível que venha desse velho ditado popular?


Esther Hyneman - É uma punição que acontece em vários lugares do país. Não sei quão prevalente ela é, mas vimos outros casos. Não acredito que seja necessariamente restrita ao Afeganistão. Depois de ser punida, Bibi desmaiou. Ela estava sangrando muito, não conseguia nem enxergar direito. Achou até que fosse água, num primeiro momento. Ela conseguiu ir até sua vila e, pelo que entendi, seu tio não a deixou entrar. Então alguém, talvez seu pai, levou-a para a base militar americana, onde ela recebeu tratamento médico. Quando ela estava melhor, eles nos pediram para abrigá-la. E ela ficou conosco por nove meses até que nós arranjamos o tratamento médico e cirúrgico nos Estados Unidos com a Fundação Grossman para Queimados.

Como ela tem se recuperado desde que você a conheceu, no Afeganistão?

Esther Hyneman - Ela tem ido muito bem, mas qualquer pessoa que tenha passado pelo que ela passou, ser dada pela família, tratada como uma escrava, torturada, sofre de síndrome de estresse pós-traumático. Vai levar tempo para que ela se recupere, mas somos muito otimistas, porque ela é uma sobrevivente. Muitas pessoas teriam morrido naquela situação, não teriam sido capazes de chegar até o vilarejo. Ela conseguiu se manter viva. Ela nunca esteve na escola, não tem informações concretas sobre o mundo, mas é extremamente inteligente. Ela tem um tipo de inteligência inata. Ela é muito esperta, espirituosa e falante. Ela tem qualidades que vão ajudá-la a conseguir uma vida produtiva. Ela só precisa de tempo para se recuperar.

Quando deve acontecer a cirurgia para a reconstrução do nariz de Bibi?

Esther Hyneman - Não sabemos. Ela precisa de um período de repouso porque o tratamento vai ser um outro tipo de trauma que ela vai enfrentar. São várias cirurgias e a Fundação Grossman está avaliando se ela está psicologicamente pronta para elas. Não existe um calendário, mas ela está recebendo cuidados de quem a ama e está feliz, aproveitando sua estadia. Ela tem agora a prótese de nariz e está se sentindo ótima ao aparecer em público. Ela é uma jovem linda.

Como ela se sente ao saber que sua foto foi reproduzida no mundo todo?

Esther Hyneman - Foi um pouco demais para ela. Aisha é jovem mulher que nasceu em um vilarejo. Comprei para ela um mapa do mundo para mostrar onde ficava o Afeganistão, onde ficava Dubai, onde seu avião fez escala antes de parar em Nova York, onde era a Califórnia, onde ela estava. Nós pusemos o mapa no chão e exploramos isso porque ela não sabia essas coisas sobre as quais nem pensamos.

Li que a irmã de Aisha pode estar ainda com a família de seu marido no Afeganistão. Isso é verdade?

Esther Hyneman - Supomos que a irmã dela esteja lá e nos preocupamos com isso, mas não há como sabermos se ela está lá e como ela está porque é uma área controlada pelo Taleban e, por isso, muito perigosa. O rosto de Bibi na capa da Time é um alerta do que pode acontecer se o Taleban dominar o Afeganistão. E se isso acontecer, o país vai se tornar refúgio para grupos terroristas que podem repetir atos como o 11 de setembro. Se isso acontecer, os custos de vidas humanas e de dinheiro serão ainda maiores do que já foram até agora. Nossa mensagem para o mundo democrático é que ele está sob ameaça aqui.

Muitas pessoas afirmam que muito pouco mudou no Afeganistão com a chegada dos americanos porque líderes fundamentalistas islâmicos que concordam com os talebans em vários aspectos continuam no governo. Qual a sua opinião sobre isso?

Esther Hyneman - Houve progressos nesses últimos anos. Pode não ser o suficiente, mas é incrível num país que ficou em guerra por 30 anos e estava sob o domínio de um regime tabelan brutal. Agora a maioria das pessoas do país quer um governo transparente, quer educação para suas crianças. As mudanças são óbvias. Nós somos uma organização sem fins lucrativos no Afeganistão e temos cinco centros para a educação das famílias e cinco abrigos. Isso é progresso. Nós ganhamos casos em favor das mulheres na Justiça. Há uma nova lei para a eliminação da violência contra a mulher assinada este ano pelo presidente Hamid Karzai que nos ajuda a defender as mulheres na Corte. Isso é progresso. Temos mais de 150 funcionários, todos eles afegãos, e eles arriscam suas vidas e as de suas famílias porque estão comprometidos com a causa de um governo progressista, leis progressistas. Pesquisas mostram que os afegãos querem uma vida melhor, querem que mais escolas sejam construídas. Se nós continuarmos no Afeganistão, o país pode se tornar um modelo do que é possível ser feito. Nós não somos invasores, os talebans são os invasores.

Agora Aisha está nos Estados Unidos. Há planos de que ela volte para o Afeganistão?

Esther Hyneman - Estamos vivendo um dia de cada vez. Não temos nenhuma ideia de como será a vida de Aisha. Temos que esperar para ver.

quinta-feira, 4 de novembro de 2010

Racismo, Xenofobia e Diretos Humanos



“Vocês riem de mim porque eu sou diferente eu rio de vocês porque são todos iguais.”

Bob Marley



Acontece todos os anos, no dia 27 de Janeiro, o “Dia Internacional de Comemoração das Vítimas do Holocausto”, ou “O Dia da Memória”. Foi instituído pelas Nações Unidas, para que a xenofobia, a perseguição à estrangeiros e a intolerância racial não propiciem nunca mais horrores como o do Holocausto.
O Papa bento XVI nesse dia, declarou que “o ódio racial e religioso e a xenofobia, geraram deportações, prisão e morte nesses lugares aberrantes”. Continua o Sumo Pontífice: “Esses fatos, em particular o drama do Holocausto, que atingiu o povo judeu, incitam a um respeito cada vez mais decidido pela dignidade de toda a pessoa, para que os homens se percebam como uma única grande família”. Mais de 1 milhão de homens, mulheres e crianças, entre os quais um milhão de judeus em toda a Europa, morreram no campo de Auschwitz, instalado em 1940 na Polônia ocupada e libertado em 27 de Janeiro de 1945 pelo exército soviético.
Após 65 anos, as feridas ainda não sararam. O anti-semitismo não desapareceu, e por isso se cultiva a memória pública do Holocausto. O início dessa estória de horror, tem como protagonista Adolf Hitler, que era extremamente nacionalista e via nos estrangeiros um fator de corrupção do povo e da vida alemã. A partir dessa idéias surgiu o nazismo, um regime totalitário, que se baseava na mística do heroísmo do povo alemão, desprezando-se então todos os povos que viviam na Alemanha ou no seu entorno.
Ainda hoje existem movimentos nazistas em todo o mundo. Precisamos vigiá-los e não dar tréguas para que se instalem novamente. É comum na Alemanha a perseguição aos estrangeiros, culminando até mesmo em assassinatos, por grupos de pessoas que não admitem a idéia de conviverem com o diferente.
Minas Gerais é um estado pródigo de grandes seres humanos, que contribuíram de maneira inequívoca para o engrandecimento da humanidade. Se a espécie humana pisou na lua em 1969 e pisará em Marte em 2050, agradeçam a um mineiro que nasceu bem aqui pertinho, no Sítio Cabangu, hoje Município de Santos Dumont. Alberto Santos Dumont recebeu a Ordem de Cavaleiro da Legião de Honra da França, país que o recebeu e o apoiou para que pudesse inventar o avião. Dividiu o prêmio, que ganhou pela façanha de voar com um dirigível mais pesado que o ar, com os pobres de Paris. Podemos também falar em um negro nascido em Três Corações que encantou o mundo com sua habilidade no campo esportivo. Pelé, o “Rei do Futebol”, o “Atleta do Século”, incensado por reis, rainhas e personalidades de todo o mundo, deixou a vida tricordiana e foi recebido em Bauru e logo após Santos, que o recebeu de braços abertos e lhe propiciou o afeto e a acolhida necessários para que ele atingisse o estrelato.
Ary Barroso, cidadão de Ubá, é um dos poucos brasileiros (talvez o único) que foi membro da Academia de Ciências e Arte de Hollywood. Mineiro versátil trabalhou inclusive com Walt Disney, que o indicou para a academia. Ary Barroso também compôs a Aquarela do Brasil, canção que junto com Garota de Ipanema são as mais executadas fora do Brasil em todos os tempos. Ary foi para o Rio de Janeiro aos 17 anos, onde desenvolveu seu talento e hoje está eternizado no bairro do Leme, início da praia de Copacabana, com um busto de bronze e uma rua com seu nome, o que muito orgulha os moradores do lugar.
Poderíamos escrever uma enciclopédia com tantos mineiros ilustres que deixaram Minas e foram recebidos em outras cidades: Juscelino, Telê Santana, Vital Brasil, Carlos Chagas, Darcy Ribeiro, o cantor Vando e também Jorge Castanheira, um Congonhense que preside a Liga das Escolas de Samba do Rio de Janeiro e coordena com muita competência aquele que é chamado “o maior espetáculo da terra”. Todas essas pessoas deixaram uma grande contribuição para a humanidade. É muito importante nos mirarmos nos bons exemplos e pautarmos nossa vida pela acolhida de todos os irmãos, pois, Jesus Cristo sempre pregou a igualdade entre todas as pessoas, através do carinho, da hospitalidade, da amizade e do amor.
Hitler era artista, pintava quadro e quando jovem, chegou a sobreviver de sua arte. Sua contribuição, porém para a história, foram os seis milhões de judeus assassinados por seu exército, tudo em nome da xenofobia e da intolerância ao próximo.
Precisamos evitar esse tipo de comportamento, pois, nossa casa é o mundo e o mundo é nossa casa.

As Mulheres e o Poder






Celina Guimarães foi a primeira eleitora no Brasil e na América latina. Votou em 5 de Abril de 1828 em Mossoró no Rio Grande do Norte, que foi o primeiro estado brasileiro a abolir a distinção de sexo para o voto. Os votos femininos foram anulados pela Comissão de Poderes do Senado. Somente em 1932 o Código Eleitoral permitiu o voto feminino no Brasil.

Luíza Alzira Soriano foi a primeira mulher a se eleger prefeita no Brasil e na América Latina, no ano de 1928, no município de Lajes, no (novamente) Rio Grande do Norte terra de pioneira do feminismo no Brasil e foi provavelmente a primeira mulher a romper os limites entre os espaços público e privado publicando textos em jornais, na época em que a imprensa nacional ainda engatinhava. Nísia também dirigiu um colégio para moças no Rio de Janeiro e escreveu livros em defesa dos direitos das mulheres, dos índios e dos escravos.

As primeiras mulheres eleitas deputadas estaduais foram Maria do Céu do RN (novamente), Antonieta de Barros (SC), Lili Lages (AL), Maria Luiza Bittencourt (BA), Maria Tereza Azevedo e Maria Tereza de Barros por SP, todas eleitas em 1934.

Carlota de Queiroz foi a primeira deputada federal eleita no Brasil. Eleita em 1934, legislou até 1937, quando foi cassada por Getúlio Vargas.

Eunice Michiles do Estado do Amazonas foi a primeira senadora a exercer o cargo no parlamento brasileiro, em 1979.

A primeira mulher a governar um estado brasileiro foi Iolanda Lima Fleming, que governou o Acre de de 15 de maio de 1986 a 15 de maio de 1987. A segunda mulher governadora foi Roseane Sarney e a terceira Benedita da Silva, também a primeira senadora negra eleita no país.
A primeira ministra foi Maria Ester Ferraz que foi Ministra da Educação do presidente general João Batista Figueiredo.
Em 2010 Dilma Roussef foi a primeira mulher eleita para presidente do Brasil.