Amauri Queiroz

sexta-feira, 26 de agosto de 2011

Carta às Esquerdas

Boaventura de Sousa Santos
Não ponho em causa que haja um futuro para as esquerdas mas o seu futuro não vai ser uma continuação linear do seu passado. Definir o que têm em comum equivale a responder à pergunta: o que é a esquerda? A esquerda é um conjunto de posições políticas que partilham o ideal de que os humanos têm todos o mesmo valor, e são o valor mais alto. Esse ideal é posto em causa sempre que há relações sociais de poder desigual, isto é, de dominação. Neste caso, alguns indivíduos ou grupos satisfazem algumas das suas necessidades, transformando outros indivíduos ou grupos em meios para os seus fins. O capitalismo não é a única fonte de dominação mas é uma fonte importante.
Os diferentes entendimentos deste ideal levaram a diferentes clivagens. As principais resultaram de respostas opostas às seguintes perguntas. Poderá o capitalismo ser reformado de modo a melhorar a sorte dos dominados, ou tal só é possível para além do capitalismo? A luta social deve ser conduzida por uma classe (a classe operária) ou por diferentes classes ou grupos sociais? Deve ser conduzida dentro das instituições democráticas ou fora delas? O Estado é, ele próprio, uma relação de dominação, ou pode ser mobilizado para combater as relações de dominação?
As respostas opostas as estas perguntas estiveram na origem de violentas clivagens. Em nome da esquerda cometeram-se atrocidades contra a esquerda; mas, no seu conjunto, as esquerdas dominaram o século XX (apesar do nazismo, do fascismo e do colonialismo) e o mundo tornou-se mais livre e mais igual graças a elas. Este curto século de todas as esquerdas terminou com a queda do Muro de Berlim. Os últimos trinta anos foram, por um lado, uma gestão de ruínas e de inércias e, por outro, a emergência de novas lutas contra a dominação, com outros atores e linguagens que as esquerdas não puderam entender.
Entretanto, livre das esquerdas, o capitalismo voltou a mostrar a sua vocação anti-social. Voltou a ser urgente reconstruir as esquerdas para evitar a barbárie. Como recomeçar? Pela aceitação das seguintes ideias:
Primeiro, o mundo diversificou-se e a diversidade instalou-se no interior de cada país. A compreensão do mundo é muito mais ampla que a compreensão ocidental do mundo; não há internacionalismo sem interculturalismo.
Segundo, o capitalismo concebe a democracia como um instrumento de acumulação; se for preciso, ele a reduz à irrelevância e, se encontrar outro instrumento mais eficiente, dispensa-a (o caso da China). A defesa da democracia de alta intensidade é a grande bandeira das esquerdas.
Terceiro, o capitalismo é amoral e não entende o conceito de dignidade humana; a defesa desta é uma luta contra o capitalismo e nunca com o capitalismo (no capitalismo, mesmo as esmolas só existem como relações públicas).
Quarto, a experiência do mundo mostra que há imensas realidades não capitalistas, guiadas pela reciprocidade e pelo cooperativismo, à espera de serem valorizadas como o futuro dentro do presente.
Quinto, o século passado revelou que a relação dos humanos com a natureza é uma relação de dominação contra a qual há que lutar; o crescimento económico não é infinito.
Sexto, a propriedade privada só é um bem social se for uma entre várias formas de propriedade e se todas forem protegidas; há bens comuns da humanidade (como a água e o ar).
Sétimo, o curto século das esquerdas foi suficiente para criar um espírito igualitário entre os humanos que sobressai em todos os inquéritos; este é um patrimônio das esquerdas que estas têm vindo a dilapidar.
Oitavo, o capitalismo precisa de outras formas de dominação para florescer, do racismo ao sexismo e à guerra e todas devem ser combatidas.
Nono, o Estado é um animal estranho, meio anjo meio monstro, mas, sem ele, muitos outros monstros andariam à solta, insaciáveis à cata de anjos indefesos. Melhor Estado, sempre; menos Estado, nunca.
Com estas ideias, vão continuar a serem várias as esquerdas, mas já não é provável que se matem umas às outras e é possível que se unam para travar a barbárie que se aproxima.
Boaventura de Sousa Santos é sociólogo e professor catedrático da Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra (Portugal).





quarta-feira, 24 de agosto de 2011

A Carta do Cacique Seattle ao presidente dos EUA que queria comprar as terras do seu povo em 1855

Em 1855, o cacique Seattle, da tribo Suquamish, do Estado de Washington, enviou esta carta ao presidente dos Estados Unidos (Francis Pierce), depois de o Governo haver dado a entender que pretendia comprar o território ocupado por aqueles índios. Faz mais de um século e meio. Mas o desabafo do cacique tem uma incrível atualidade.
A carta:
"O grande chefe de Washington mandou dizer que quer comprar a nossa terra. O grande chefe assegurou-nos também da sua amizade e benevolência. Isto é gentil de sua parte, pois sabemos que ele não necessita da nossa amizade. Nós vamos pensar na sua oferta, pois sabemos que se não o fizermos, o homem branco virá com armas e tomará a nossa terra. O grande chefe de Washington pode acreditar no que o chefe Seattle diz com a mesma certeza com que nossos irmãos brancos podem confiar na mudança das estações do ano. Minha palavra é como as estrelas, elas não empalidecem.
Como pode-se comprar ou vender o céu, o calor da terra? Tal idéia é estranha. Nós não somos donos da pureza do ar ou do brilho da água. Como pode então comprá-los de nós? Decidimos apenas sobre as coisas do nosso tempo. Toda esta terra é sagrada para o meu povo. Cada folha reluzente, todas as praias de areia, cada véu de neblina nas florestas escuras, cada clareira e todos os insetos a zumbir são sagrados nas tradições e na crença do meu povo.

Sabemos que o homem branco não compreende o nosso modo de viver. Para ele um torrão de terra é igual ao outro. Porque ele é um estranho, que vem de noite e rouba da terra tudo quanto necessita. A terra não é sua irmã, nem sua amiga, e depois de exaurí-la ele vai embora. Deixa para trás o túmulo de seu pai sem remorsos. Rouba a terra de seus filhos, nada respeita. Esquece os antepassados e os direitos dos filhos. Sua ganância empobrece a terra e deixa atrás de si os desertos. Suas cidades são um tormento para os olhos do homem vermelho, mas talvez seja assim por ser o homem vermelho um selvagem que nada compreende.

Não se pode encontrar paz nas cidades do homem branco. Nem lugar onde se possa ouvir o desabrochar da folhagem na primavera ou o zunir das asas dos insetos. Talvez por ser um selvagem que nada entende, o barulho das cidades é terrível para os meus ouvidos. E que espécie de vida é aquela em que o homem não pode ouvir a voz do corvo noturno ou a conversa dos sapos no brejo à noite? Um índio prefere o suave sussurro do vento sobre o espelho d'água e o próprio cheiro do vento, purificado pela chuva do meio-dia e com aroma de pinho. O ar é precioso para o homem vermelho, porque todos os seres vivos respiram o mesmo ar, animais, árvores, homens. Não parece que o homem branco se importe com o ar que respira. Como um moribundo, ele é insensível ao mau cheiro.

Se eu me decidir a aceitar, imporei uma condição: o homem branco deve tratar os animais como se fossem seus irmãos. Sou um selvagem e não compreendo que possa ser de outra forma. Vi milhares de bisões apodrecendo nas pradarias abandonados pelo homem branco que os abatia a tiros disparados do trem. Sou um selvagem e não compreendo como um fumegante cavalo de ferro possa ser mais valioso que um bisão, que nós, peles vermelhas matamos apenas para sustentar a nossa própria vida. O que é o homem sem os animais? Se todos os animais acabassem os homens morreriam de solidão espiritual, porque tudo quanto acontece aos animais pode também afetar os homens. Tudo quanto fere a terra, fere também os filhos da terra.

Os nossos filhos viram os pais humilhados na derrota. Os nossos guerreiros sucumbem sob o peso da vergonha. E depois da derrota passam o tempo em ócio e envenenam seu corpo com alimentos adocicados e bebidas ardentes. Não tem grande importância onde passaremos os nossos últimos dias. Eles não são muitos. Mais algumas horas ou até mesmo alguns invernos e nenhum dos filhos das grandes tribos que viveram nestas terras ou que tem vagueado em pequenos bandos pelos bosques, sobrará para chorar, sobre os túmulos, um povo que um dia foi tão poderoso e cheio de confiança como o nosso.

De uma coisa sabemos, que o homem branco talvez venha a um dia descobrir: o nosso Deus é o mesmo Deus. Julga, talvez, que pode ser dono Dele da mesma maneira como deseja possuir a nossa terra. Mas não pode. Ele é Deus de todos. E quer bem da mesma maneira ao homem vermelho como ao branco. A terra é amada por Ele. Causar dano à terra é demonstrar desprezo pelo Criador. O homem branco também vai desaparecer, talvez mais depressa do que as outras raças. Continua sujando a sua própria cama e há de morrer, uma noite, sufocado nos seus próprios dejetos. Depois de abatido o último bisão e domados todos os cavalos selvagens, quando as matas misteriosas federem à gente, quando as colinas escarpadas se encherem de fios que falam, onde ficarão então os sertões? Terão acabado. E as águias? Terão ido embora. Restará dar adeus à andorinha da torre e à caça; o fim da vida e o começo pela luta pela sobrevivência.

Talvez compreendêssemos com que sonha o homem branco se soubéssemos quais as esperanças transmite a seus filhos nas longas noites de inverno, quais visões do futuro oferecem para que possam ser formados os desejos do dia de amanhã. Mas nós somos selvagens. Os sonhos do homem branco são ocultos para nós. E por serem ocultos temos que escolher o nosso próprio caminho. Se consentirmos na venda é para garantir as reservas que nos prometeste. Lá talvez possamos viver os nossos últimos dias como desejamos. Depois que o último homem vermelho tiver partido e a sua lembrança não passar da sombra de uma nuvem a pairar acima das pradarias, a alma do meu povo continuará a viver nestas florestas e praias, porque nós as amamos como um recém-nascido ama o bater do coração de sua mãe. Se te vendermos a nossa terra, ama-a como nós a amávamos. Protege-a como nós a protegíamos. Nunca esqueça como era a terra quando dela tomou posse. E com toda a sua força, o seu poder, e todo o seu coração, conserva-a para os seus filhos, e ama-a como Deus nos ama a todos. Uma coisa sabemos: o nosso Deus é o mesmo Deus. Esta terra é querida por Ele. Nem mesmo o homem branco pode evitar o nosso destino comum."













sexta-feira, 19 de agosto de 2011

Ah!!! O Teatro!!!!!

O que é o teatro? Quem é o teatro? Ah!!! Verve pura pulsando em nossas entranhas!!!! Flecha flamejante que cruza a noite dos recônditos de nossa alma!!!! Penetra em nossos insondáveis desejos e desesperos...Reflete nossas incapacidades e ao mesmo tempo, ainda que como um espelho sagrado, impõe-nos sua mitológica catarse, transportando-nos ao paraíso do amor, onde Adão e Eva se entrelaçam com extrema volúpia, emprenhando um deus novo, sem cascas, onde tudo é puro e não há dor.
O teatro é a derradeira esperança de verdade. Nós, o teatro... Ele, o teatro.... Filho de Lesbos, Baco ou Dionísio com suas loucas ménades e bacantes...O verdadeiro teatro vem das ruas, dos coreutas e corifeus, das massas desvalidas, das insanidades, das prostitutas, dos devassos....
O teatro é filho das ruas, dos desvalidos. Mas não ousem pensar que nada podemos. Aos déspotas e tiranos oferecemos nossa sátira....O aço frio de nossa espada é nossa fina ironia. Tremei ditadores!!!! O teatro está aqui!!!! Tremei vós, acomodados!!!! O teatro vos espreita!!!! Estivemos na Bastilha, No Quilombo dos Palmares!!! Na Inconfidência Mineira!!!! Nas praças do Cairo!!! Estamos nas ruas da Líbia, da Síria, do Iêmen!!!!! De Londres.....
Somos o teatro e aqui somos o teatro de Minas. Nosso útero é barroco e nossa alma de ferro. Nossos olhos diamantes e nossa alma de ouro. Somos o teatro de Minas... O teatro de Congonhas.....filhos gauches do mestre Aleijadinho.
Somos o teatro, uma velha lona solta num caminhão que corre estrada afora...como se nunca fosse parar.....
(Amauri Queiroz)

Texto produzido para a abertura do 3º Festival Nacional de Teatro de Congonhas/MG.

quarta-feira, 17 de agosto de 2011

Marcha das Margaridas

A Marcha das Margaridas, maior mobilização de trabalhadoras rurais da América Latina, acontece em Brasília, nos dias 16 e 17 de agosto, onde se reunirão mais de 70 mil mulheres de todos os Estados do país. Em sua quarta edição - a primeira aconteceu em 2000, depois em 2003 e 2007 – a Marcha das Margaridas incorporou neste ano, além de propostas e reivindicações das mulheres do campo e da floresta, também ações em parceria com as mulheres das cidades.




terça-feira, 16 de agosto de 2011

Dia Internacional dos Povos Indígenas


Comemoramos no último dia 09 de agosto o Dia Internacional dos Povos Indígenas, que são 370 milhões de seres humanos vivendo em 70 países.
Devemos igualmente aproveitar para comemorar a adoção, pelo Conselho dos Direitos Humanos da ONU, do projeto de Declaração das Nações Unidas sobre os Direitos das Populações Indígenas. Esta Declaração, que é fruto de muitos anos de negociações complexas e, por vezes, controversas, é um instrumento de grande significado histórico que se destina a promover os direitos e a dignidade das populações indígenas do mundo. A sua adoção pela Assembléia Geral das Nações Unidas, que deverá ter lugar antes do final do ano, constituirá uma importante conquista e espera-se que contribua para uma maior mobilização das populações indígenas.
A data também serve como reflexão sobre as ações que a humanidade está levando a cabo em nosso planeta. Uma data que serve para que nunca esqueçamos o terrível genocídio que os colonizadores europeus perpetraram nas populações ameríndias. Conseguiram extinguir Incas, Maias e Astecas. Praticamente extinguiram Navajos, Sioux, Apaches, Tupinambás, Guaranis, Aimorés, Ianomâmis, Pataxós, Xavantes, Ticunas, entre tantas outras populações autóctones. Milhões foram massacrados em nome de uma civilização que hoje vemos ser uma autêntica tragédia humana, onde o capital é mais importante que a vida. O etnocídio destruiu sabedorias milenares, conhecimentos ancestrais, culturas riquíssimas e um modo de viver em perfeita consonância com a mãe natureza.
Estima-se que quando Colombo chegou ao Novo Mundo no final do século XV a população autóctone pré-colombiana era de cerca de 55 milhões de nativos, incluindo-se 25 milhões no Império Asteca e 12 milhões no Império Inca. Muitas das tribos que existiam no país à época de Cabral desapareceram, ou tragadas pela cultura do colonizador ou dizimadas pela violência a que os índios em geral foram submetidos durante os últimos cinco séculos, ou pela catequização dos missionários europeus, que desapareceu com crenças e tradições religiosas. Quando Cabral aportou em nossas terras, existiam no território Brasileiro, mais de mil povos, sendo cerca de cinco milhões de indígenas. Atualmente são 227 povos, e sua população está em torno de 410 mil. Pesquisas arqueológicas no Brasil apontam para a presença humana em 12.770 a.C. em Lagoa Santa, Minas Gerais. Cabral descobriu o quê?
Quando todas as fontes d'água estiverem ressequidas... Quando todas as florestas tiverem se transformarem-se em grandes desertos... “Quando o ar do planeta tiver se tornado irrespirável, quero saber como os supostos ‘civilizadores” farão para se alimentarem de dinheiro.
Parabéns Jecinaldo Sateré!!!! Parabéns Marcos Terena!!! Parabéns Raoni!!! Parabéns aos nossos irmãos que tombaram bravamente sob as armas dos cruéis colonizadores europeus, simplesmente por tentarem viver em paz e em harmonia com a natureza.

quarta-feira, 10 de agosto de 2011

Mistérios da Mente Humana

‎35T3 P3QU3N0 T3XT0 53RV3 4P3N45 P4R4 M05TR4R C0M0 N0554 C4B3Ç4 C0NS3GU3 F4Z3R C01545 1MPR35510N4ANT35! R3P4R3 N155O! N0 C0M3Ç0 35T4V4 M310 C0MPL1C4D0, M45 N3ST4 L1NH4 SU4 M3NT3 V41 D3C1FR4NDO 0 C0D1GO QU453 4UT0M4T1C4M3NT3, S3M PR3C1S4R P3N54R MU1T0, C3RT0? P0D3 F1C4R B3M 0RGULH050 D1550! SU4 C4P4C1D4D3 M3R3C3 P4R4B3NS!

terça-feira, 9 de agosto de 2011

Gilberto Guizelin da Universidade Estadual de Londrina, aluno cotista, é o melhor aluno da universidade

Universidade Estadual de Londrina (UEL) aprova desempenho de estudantes cotistas
O sistema de reserva de vagas para estudantes negros e oriundos de escolas públicas em vigência na Universidade Estadual de Londrina (UEL) está em discussão nas diversas instâncias da instituição, já que a resolução que estabeleceu essa política prevê que ela vigore por um período de sete anos letivos, contados a partir de 2005. Desse modo, o vestibular de 2012 pode continuar ou não com as cotas.
Os alunos que nos últimos quatro anos ingressaram na UEL por meio dessa política tiveram um desempenho considerado satisfatório pela comissão permanente da universidade que acompanha e avalia sua implementação. "Esses estudantes – diz um relatório da comissão – têm conseguido acompanhar o desenvolvimento dos demais, com médias equivalentes." Ainda de acordo com o documento, em algumas situações, os estudantes cotistas brancos ou negros, provenientes de escolas públicas, apresentaram desempenho superior ao dos estudantes não cotistas.
Exemplo de desempenho acima da média conseguido por um estudante cotista negro é o de Gilberto da Silva Guizelin (foto), um jovem do interior de São Paulo que ingressou no curso de História da UEL em 2005, depois de ter sido reprovado no vestibular da Universidade Estadual Paulista (UNESP). No decorrer dos quatro anos de sua permanência na graduação, ele foi beneficiado com bolsas de estudo e pesquisa para afrodescendentes que lhe permitiram definir o rumo que tomaria o seu Trabalho de Conclusão de Curso (TCC), facilitando também o acesso à pós graduação.
Ao se formar, em 2008, Guizelin recebeu a Láurea Acadêmica e foi considerado o Melhor Aluno da UEL de 2008. Ele conta que quando entrou na universidade pelo sistema de cotas ouvia, até mesmo de afrodescendentes, declarações de que aquela era uma nova forma de discriminação, mas diz que não concorda com essa visão: "O sistema de cotas – explica o historiador – não nasceu para ser eterno. Ele foi pensado para diminuir o desequilíbrio entre o número de afrodescendentes e de brancos no ensino superior. Todavia, sete anos é um período muito curto, se levarmos em consideração que o ensino superior no Brasil esta prestes a completar 200 anos, e nesse meio tempo o negro teve o seu direito de cursar uma universidade praticamente inviabilizado".
Fonte: Portal Geledés